TERMO DE VEREAÇÃO DO SENADO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO DE 9 DE JANEIRO DE 1822
O Príncipe Regente declara ficar no Brazil.
Aos 9 de Janeiro do anno de 1822, nesta cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, e Paços do Conselho, aonde se achavam reunidos em acto de Vereação, na fórma do seu Regimento, o Juiz de Fóra Presidente, Vereadores, e Procurador do Senado da Camara, abaixo assignados, por parte do Povo desta Cidade foram apresentadas ao mesmo Senado varias Representações, que todas se dirigem a requerer que este leve á consideração de S.A. Real, que deseja que suspenda a Sua sahida para Portugal, por assim o exigir a salvação da Pátria, que está ameaçada do imminente perigo de divisão pelos partidos, que se temem de uma independência absoluta, até que o Soberano Congresso possa ser informado destas novas circumstancias, e á vista dellas acuda a este Reino com um remédio prompto, que seja capaz de salvar a Pátria, como tudo melhor consta das mesmas Representações, que se mandaram registrar. É sendo vistas estas Representações, estando presentes os homens bons desta Cidade, que têm andado na governança della, para este acto convocados, por todos foi unanimemente accordado que ellas continham a vontade dominante de todo o Povo, e que urgia que fossem immediatamente apresentadas a S. A Real. Para este fim sahiu immediatamente o Procurador do Senado da Camara, encarregado de annunciar ao Mesmo Senhor esta deliberação, e de Lhe pedir uma Audiência para o sobredito effeito: e voltando com a resposta de que S. A. Real tinha designado a hora do meio-dia para receber o Senado da Camara no Paço desta Cidade, para alli sahiu o mesmo Senado ás 11 horas do dia: e sendo apresentadas a S. A. Real as sobreditas Representações pela voz do Presidente do Senado da Camara, que Lhe dirigiu a falla; depois delle o Coronel do Estado-Maior ás Ordens do Governo do Rio Grande Manoel Carneiro da Silva e Fontoura, que tinha pedido licença ao Senado da Camara para se unir a elle, dirigiu a falla ao Mesmo Senhor, protestando-Lhe que os sentimentos da Província do Rio Grande de S. Pedro do Sul eram absolutamente conformes aos desta Província: E no mesmo acto João Pedro Carvalho de Moraes apresentou a S.A. Real uma Carta das Camaras de Santo Antonio de Sá e Magé contendo iguaes sentimentos. E S. A. Real Dignou-se responder com as expressões seguintes: <<COMO É PARA BEM DE TODOS, E FELICIDADE GERAL DA NAÇÃO, ESTOU PROMPTO: DIGA AO POVO - QUE FICO. ->> E logo chegando S.A. Real ás varandas do Paço, Disse ao Povo: << -- AGORA SÓ TENHO A RECOMMENDAR-VOS UNIÃO, E TRANQUILLIDADE.>> - Foi a resposta de S. A. Real seguida de vivas da maior satisfação, levantados das janellas do Paço pelo Presidente do Senado da Camara e repetidos pelo immenso Povo que estava reunido no Largo do mesmo Poço, pela ordem seguinte; Viva a Religião - Viva a Constituição - Vivam as Côrtes - Viva El Rei Constitucional - Viva o Príncipe Constitucional - Viva a união de Portugal com o Brazil. - Findo este acto, se recolheu o Senado da Camara aos Paços do Conselho, com os Cidadãos, e os Mestéres do Povo, que acompanharam, e o sobredito Coronel pela Província do Rio Grande do Sul. E de tudo para constar se mandou tomar este Termo, que todos sobreditos assignaram commigo José Martins Rocha, Escrivão do Senado da Camara, que o escrevi. - José Clemente Pereira. -- Francisco de Souza e Oliveira - Luiz José Vianna Grugel do Amaral e Rocha. -- Manoel Caetano Pinto. - Antonio Alves de Araujo - José Martins Rocha. ( Seguem-se as assignaturas dos mais Cidadãos.)