DECRETO N. 7.342 – DE 6 DE JUNHO DE 1941
Aprova o Regulamento para o Serviço ele Informações da Artilharia
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 74, letra a, da Constituição,
decreta:
Art. 1º Fica aprovado o Regulamento, que com este baixa, para o Serviço de Informações da Artilharia, assinar do pelo general de divisão Eurico Gaspar Dutra, Ministro de Estado da Guerra
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 6 de junho de 1941; 120º da Independência e 53º da República.
Getulio Vagas
Eurico G. Dutra.
Regulamento para o Serviço de Informações da Artilharia
INTRODUÇÃO
As informações de toda espécie que a Artilharia recebe do comando não lhe bastam para permitir a procura e determinação de seus objetivos e, tão pouco, para a execução de seus tiros. Faltam-lhe ainda informações mais precisas e de caracter técnico sobre o inimigo, e, particularmente, sobre a artilharia inimiga.
Ela deve, então, possuir um serviço particular de informações especializado na busca, interpretação e difusão dos informes que lhe interessam (§§ 35 e 36 das Instruções provisórias para a busca e interpretação das informações, de 27-7-926). A experiência da guerra demonstrou que tal serviço é imprescindivel a todos os escalões de comando da Artilharia. Ao conjunto de suas organizações, dá-se o nome de Serviço de Informações da Artilharia – S.I.A.
Este S.I.A. é, pois, antes de tudo, um orgão técnico cujo fim essencial é proporcionar é artilharia, sob uma forma exploravel, todas as informações necessárias à execução de seus tiros.
Por outro lado, dispondo de orgãos de busca especializados, o
S.I.A. está particularmente apto a fornecer ao comando informações exatas sobre a situação da artilharia inimiga e sua atividade.
Isto obriga a uma ligação intima e constante do S.I.A. com as Segundas Seções dos E.M. correspondentes (Instruções provisórias, para a busca e interpretação das informações n. 36) e, em consequência:
– o S.I.A. fornece às Segundas Seções todas as informações que lhes possam ser úteis, assim como as informações particular, cuja busca lhe for especialmente atribuído pelo plano de busca de informações;
– recebe, por sua vez, destas Segundas Seções, todas as informações (gerais ou particulares), capazes de facilitar sua tarefa.
O presente regulamento trata da organização funcionamento do S.I.A. e indica em particular :
– as condições segundo as quais se opera a busca de informações de caracter técnico em proveito do Artilharia;
– as relações do S.I.A. com as Segundas Seções e as informações a fornecer, em consequência, ao Gomando.
Fica, aliás, subentendido que as indicações dadas só referem um máximo somente realização em período de estabilização.
A organização do S.I.A. tal qual está mencionada no quadro completo deve, com efeito, ser considerada como o fim que se procurará atingir, na medida em que o permitir o tempo disponível em cada caso particular.
TíTULO I
Generalidades
CAPíTULO I
FIM DO S.I.A. – ORGANIZAÇÃO MISSÕES GERAIS
1. Cada escalão do artilharia a partir do Grupo até a artilharia de Exército deve, sob a direção do respectivo C m t., fazer funciona um serviço de informações. Este serviço denomina-se: Serviço de Informações da Artilharia (S.I.A.).
Sumariamente organizado nos escalões inferiores, atinge seu máximo desenvolvimento na Artilharia Divisionária e na Artilharia de Exército.
2. Em qualquer dos escalões. o objeto do S.I.A. é principalmente de ordem técnica; visa a busca das informações de toda natureza relativas ao emprego da artilharia, o estudo dessas informações, sua interpretação (em vista de torna-se exploráveis pelo tiro) e sua difusão.
O S.I.A. dos escalões superiores (Divisão e Exército) tem ainda a missão tática: a de determinar a importância, o dispositivo e a atividade da artilharia inimiga. Partindo destas bases, pode estabelecer sínteses das informações ou proceder a estudos particulares, seja por iniciativa de seu chefe direto, seja a pedido do
Comando. Neste último ponto de vista, o S.I.A. será um dos auxiliares das 2 das. Seções dos E.-M. da Grandes Unidades interessadas.
Dado o desenvolvimento da rede de seus observatórios. o S.I.A. permite, a todos os escalões, recolher informações especiais, as vezes rapidamente exploráveis pelo Comando, sobre as manifestações da atividade inimiga (dispositivos, movimentos de tropas, etc.).
3. As fontes de informações de que dispõe o S.I.A. são tanto mais numerosas quanto mais elevado for o escalão em que trabalha.
Os S.I.A. dos grupos e agrupamentos não dispõem senão da observação terrestre e das informações de contato.
O S.I.A. divisionário dispõe ainda das informações que lhe, fornecem os escalões inferiores; das que, a seu pedido ou espontaneamente, lhe são fornecidas pelas 2as. Seções interessadas e pelos S.I.A. com os quais mantém ligações. Eventualmente pode ainda dispor das informações provenientes das baterias da localização, quando estas forem postas à sua disposição (ver ns. 46 e 47).
– O S.I.A. de Exército recebe informações.
– O S.I.A. que trabalham nos escalões inferiores;
– das baterias de localização;
– da 2 seção do E.M.E.;
– dos meios que pode reservar para si.
Assim, quanto mais elevado é o escalão em que o S.I.A. trabalho, tanto mais probabilidades tem de serem exatas e precisas as informações que obter; sua difusão, porem, será demorada, e sua exploração retardada.
4. O S.I.A. recolhe, qualquer que seja o escalão, toda informação de qualque natureza que lhe chegue e, interpretrando-a técnicamente, vai escolta-la e transmiti-lo ao Comandante da artilharia de que depende, ao S.I.A. do escalão superior, por intermédio da D.I. e Exército, ao E.-M. (2ª Seção) do Gen. Cmt. da Grande Unidade.
5. Alem da missão especial de informações de que trata este regulamente, o pessoal que assegura e serviço de informações dos escalões inferiores à Divisão é ao mesmo tempo encarregada de explorar em, proveito das formações a que tais escalões pertencem, todos os recursos da observação terrestre, notavamente no que concerne à ajustam e confronto dos tiros.
6. A exploração da informação, ou melhor, a execução dos tiros que se tornam necessários, exige, antes de tudo, que tal informação chegue a tempo aos executantes grupos ou baterias). Consequência, toda vez que houver urgência na exploração de uma informação, o orgão interessado deve transmití -la imediatamente aos executantes em condições de intervirem.
7. As informações devem ser sempre tão precisas quanto possível, no que diz respeito à natureza e localização do objetivo. A imprecisão acarreta gasto supérfluo de munição e arrisca falsear o trabalho de estudo dos S.I.A.
CAPíTULO II
INFORMAÇÕES A SEREM FORNECIDAS PELO S.I.A.
8. O S.I.A. dedicará especial atenção aos objetivos que interessam diretamente a Artilharia (particularmente às baterias e obsevatórios inimigos), contribuindo ainda para o estudo das organizaçõe defensivas ou ofensivas do inimigo, segundo as diretrizes estabelecidas pelo plano de busca da D.I. ou do Ex. (2ª Secção).
ARTIGO I
Baterias inimigas
9. Relativamente às baterias inimigas, o S.I.A. se esforça para informar o comando sobre:
– seu calibre;
– suas missões e objetivos habituais;
– sua atividade;
– o agrupamento ao qual pertencem.
Estas informações, pela sua natureza, auxiliam poderosamente o Comando a reconstituir a ordem de batalha do adversário, a ficar conhecedor de suas intenções e a determinar a fase do combate em que seja mais útil contrabater tais ou tais baterias.
10. O S.I.A. esforça-se para indicar aos executantes (regimentos ou agrupamentos) com a maior precisão compativel com o tempo de que dispõe:
– o número de peças de cada bateria;
– o seu grau de proteção;
– as coordenadas de cada peça, bem como as coordenadas das
organizações internas das baterias (abrigos, P.C., etc.).
ARTIGO II
Observatórios inimigos
11. O S.I.A. despenderá o máximo de esforço, afim de precisar as coordenadas dos observatórios inimigos. Prepara, para cada um deles, a carta das partes vistas e ocultas.
ARTIGO III
Outros objetivos
12. O S.I.A. em ligação com a 2ª Seção, que é encarregada do estudo do conjunto, determina:
– os pontos sensível da organização inimiga (P.C., centros de transmissões, depósitos de munição, centros de entrega, etc.) passíveis de tiro de artilharia;
– as estradas, caminhos e pistas mais usualmente utilizadas para efetuar as substituições, os reabastecimentos, as evacuações e a entrada em linha das tropas inimigas;
– os pontos de passagem obrigatória destes itinerários (pontes, desfiladeiros, etc.) .
13. O S. I. A. deve dar estos informações sob uma forma que facilmente permita sua exploração pelos executantes, isto é, indicando para cada objetivo :
– suas coordenadas {e, caso isto não seja possível, sua localização exata, referida a pontos bem nítidos do terreno) ;
– sua forma e suas dimensões;
– sua orientação ;
– as horas em que e particularmente, vulnerável.
14. Estas informações devem ser exploráveis :
a) no tempo, isto é, indicando o momento preciso ou o período durante o qual o objetivo pode ser utilmente batido e, em consequência, difundindo a tempo as informações, afim de que o tiro possa ser executado na ocasião oportuna;
b) no espaço, ou seja precisando topograficamente os objetivos de um modo suficiente para permitir que o tiro seja executado som gasto exagerado de munição.
CAPÍTULO III
FONTES DE INFORMAÇÕES DO S. I. A.
15. As informações do S. l. A. proveem:
– dos orgãos de busca que lhe são particulares;
– da observação Terrestre;
– da observação acústica;
{observação aérea,
– da aeronáutica { estudo das fotografias aéreas
– do estudo dos fragmentos dos projetís (2) ;
– das tropas em contacto;
– dos S. I. A. dos escalões inferiores e das unidades vizinhas;
– das segundas Secções dos E.-M. correspondentes .
ARTIGO I
Observação terrestre
A) Vantagens e servidões da observação terrestre
16. 1º Todo observatório de artilharia tem um duplo fim:
– a regulação dos tiros do artilharia;
– a busca de informações.
Todo observador de artilharia deve então considerar-se como pertencente ao S. I. A. – Em conseqüência deve transmitir todas as informações que recolher, mesmo que não esteja em condições do explorá-las por si mesmo ou lhe pareçam despidas de interesse.
2º A observação terrestre é vantajosa:
a) pela rapidez relativa de sua instalação, o que lhe permite funcionar em todas as circunstâncias da batalha;
b) por sua fixidez, que permite o emprego de aparelhos goniométrieos precisos para assegurar a determinação exata dos objetivos ou dos fenômenos luminosos visados;
c) pela possibilidade de funcionamento, tanto de noite como de dia (objetivos iluminados, clarões, foguetes, etc.).
3º A observação terrestre deve ser permanente.
4º As vistas de um observatório podem ser limitadas:
– seja em virtude de acidente do terreno (zona em ângulo morto) ;
– seja em virtude do nevoeiro (que impede muitas vezes aos observatórios elevados de terem vistas sobre as partes baixas) ;
– seja em virtude da ação inimiga (flutuações da frente, tiros inimigos).
É então necessário :
– haver observatórios numerosos, repartidos sobre a frente da unidade para obter vista tão completa e tão permanente quanto possível no interior da zona inimiga;
– tomar todas as precauções possíveis para evitar que a oposição desses observatórios seja revelada (disfarce, prescrições severas regulando o acesso, etc.).
5º Os princípios sumários que permitem determinar a posição de um observatório ou de um objetivo, sâo indicados nos anexos IV e V.
B) CARACTERÍSTICAS DE UM OBSERVATÓRIO
17. As características de um observatório são:
1º Suas coordenadas (ou caso não seja possível, as distâncias e afastamentos angulares que permitam amarrá-lo de modo preciso a certos pontos fixos ou a outros observatórios) ;
2º Sua ou suas direções origens (ver instrução geral sobre a observação).
18. As características de um observatório são sumariamente determinadas logo no início da ocupação e, em seguida, determinadas precisamente o mais cedo que for possivel.
Para certos observatórios que tenham de efetuar medidas de precisão, o erro de posição não deve ultrapassar 2 a 3 metros e o de orientação 2 a 3 minutos centesimais.
19. As direções origens são, de preferência, as direções de pontos bem nítidos do terreno (árvores características, cumieiras de casas isoladas, etc.).
Caso se disponha de listas-repertórios, dos pontos geodésicos ou de planos diretores, escolhem-se pontos dos quais se conheçam as coordenadas.
Caso se não disponha de nenhum desses documentos, devem ser feitos esforços para determinar, logo que possível, as coordenadas dos pontos escolhidos em um sistema arbitrário de coordenadas (ver
anexo II).
Depois, e desde que se possa, os aparelhos goniométricos são orientados.
C) MODO DE OPERAR
20. A determinação ria posição de um objetivo por observação terrestre baseia-se no processo topográfico de interseção. Este processo exige que o objetivo tenha sido referido, pelo menos, por dois observatórios: se este se revelar pela aparição de fenômenos luminosos fugazes, é indispensável que ambos os observadores tenham visado o mesmo fenômeno. Toda vez que for possível, dever-se-á procurar obter urna verificação por visada feita de um terceiro observatório.
21. Geralmente a visada de um objetivo por um só observatório não é suficiente para determinar a posição desse objetivo (3). Esta informação, entretanto, não deve ser desprezada, porque:
1º pode ser associada a outras informações provindas de fontes diferentes (S. L.. S., avião, balão) ;
2º, pode em certos casos, por um estudo cuidadoso do terreno feito no plano diretor, permitir situar o objetivo em uma zona provavel do dimensões muito restritas e que possa ser eficazmente batida, sem dispêndio excessivo de munições.
22. A observação é explorada por todas as tropas, e mais especialmente no que concerne ao S. I. A. : – pelos corpos de tropa de artilharia que disponham de observatórios por eles instalados e cuidados;
– pelas bateria: de localização (Secções de localização por observação terrestre). (Ver ns. 46 e 47).
Os grupos, de modo geral, não dispõem de meios suficientes (observatórios pouco numeroso, base de observação muito curta), para assegurar um cruzamento verificado. Assim, a centralização e a exploração das informações provindas dos observatórios de artilharia são feitas, em princípio, no escalão agrupamento. O comandante do agrupamento reparte, entre os grupos, as zonas do terreno onde é possível instalar observatórios, e procura organizar um dispositivo de modo tal, que todo ponto da zona da ação do agrupamento seja visto, pelo menos, por três observatórios.
Em certos casos, a organização e o funcionamento dos observatórios de cruzamento podem ser centralizados no escalão superior ao agrupamento (artilharia divisionária e artilharia de exército) .
23. A maneira de operar e a precisão obtida diferem, conforme as características dos observatórios tenham ou não sido determinada de maneira precisa (ver anexo III) .
ARTIGO II
Observação acústica
24. A observação acústica permite:
– determinar a posição das baterias inimigas pelo registro em aparelhos para isso construídos, dos fenômenos sonoros que acompanham o tiro dessas baterias;
– regular os tiros de artilharia em certos casos particulares.
25. A observação acústica pode funcionar tanto de noite como de dia. Somente condições atmosféricas especiais podem perturbá-la, como sejam : vento violento, nevoeiro denso, grande atividade de artilharia, etc. (ver titulo III, cap. I, art. 3º).
26. A observação acústica é utilizada pelas baterias de Localização (Secção de localização pelo som). (Ver ns. 46 e 47).
ARTIGO III
Aeronáutica
27. Alem das informações prestada pelo Serviço Aeronáutico, o S. I. A. utiliza as que lhe são diretamente fornecida pelos balões e aviões postos a disposição da artilharia e principalmente as que lhe proporcionam o estudo das fotografias aéreas.
A) Observação Aérea
b) Avião.
28. O balão é um observatório elevado, que apresenta a vantagem de ter vistas muito extensas. Ao contrário, tem o inconveniente de não ser fixo e de ser muito vulneravel. A ligação direta entre a barquinha e a terra permite ao S. I. A, obter rapidamente precisões sobre uma informação anteriormente fornecida pelo observador, ou chamar a atenção deste último para uma zona do terreno onde outra fonte tenha assinalado um objetivo.
b) Avião.
29. O avião é um observatório para o qual quase não existe zona em ângulo morto; os aviões, porem, são em número limitado e não podem assegurar sempre a permanência da observação. A ligação entre o S. l. A. e o avião em vôo é difícil; a sinalização por painéis pode, todavia, chamar a atenção do observador em avião para as zonas nas quais foram, por outras fontes, assinalados objetos.
A instabilidade do avião não é favorável ao emprego de aparelhos goniométrieos precisos; o valor das informações à, vista é, pois, sobretudo, função da qualidade do observador, do número de referências existentes no terreno e da existência de cartas precisas e detalhadas.
B) Fotografia Aérea
30. Constitue a fotografia aérea, em princípio, a fonte mais preciosa de informações (sobretudo pela comparação de fotografias sucessivas) .
É, pois, necessário e importante que os oficiais dos diversos S. I. A. estudem sem cessar esses documentos e sigam cuidadosamente as modificações que eles revelam.
31. O estudo de uma fotografia aérea compreende:
– a leitura, que tem por fim procurar as manifestações da atividade inimiga (indícios de trabalhos, de circulação, etc.) ;
– a interpretação, que tem por fim discriminar a natureza dos trabalhos ou das organizações (baterias, obras de infantaria. observatórios, P. C., depósitos, etc.) ;
– a amarração, que visa precisar a posição desses trabalhos ou organização, seja referindo-os a pontos concedidos situados na zona amiga seja determinando suas coordenadas.
32. Todo oficial do S. I. A. deve poder ler e interpretar uma fotografia; em particular deve exercer um sério cotejo sobre as interpretações de fotografias que forem executadas pelos escalões inferiores.
33. A leitura de uma fotografia torna-se particularmente dificil no caso em que o inimigo faz um judicioso emprego dos disfarces. No entanto o estereoscópio permite referir os trabalho; em relevo, e a comparação entre fotografias da mesma zona, tomadas em dias diferentes, pode fazer surgir, no aspecto do terreno, modificações que fornecem, muitas vezes, preciosas informações.
34. A interpretação é muito delicada.
Pode-se, por um estudo sobre a carta das regiões possíveis de desdobramento da artilharia, presumir que tais ou tais trabalhos representem baterias inimigas; na maioria dos casos, porem, é preciso apelar para as informações provenientes de outras forte, afim de determinar, de modo seguro, a natureza dos trabalhos assinalados sobre uma fotografia.
35. Todo oficial do S. I. A. deve ser capaz de fazer a amarração fotográfica, mas, na prática, é preferivel fazer executar executar trabalho pelas Secções topográficas de D. I.
ARTIGO IV
Estudo dos fragmentos de projeteis
36. O conhecimento das características de um projetil de artilharia é uma informação muito importante.
A simples observação dos arrebentamentos, ou a impressão dos que se sujeitarem a bombardeios, pode conduzir a erros consideraveis, principalmente no que concerne à apreciação do calibre. Somente o estudo dos fragmentos dos projeteis permite, eom segurança, precisar o máterial que executa o tiro. Alem disso, permite tambem identificar todo material novo ou toda munição nova.
37. O Anexo VI indica sumariamente os pontos nos quais se deve basear esse estudo e as informações que daí podem ser tiradas.
ARTIGO V
Tropas em contacto
38. As informações fornecidas pelas tropas em contacto são recolhidas, exploradas e difundidas pelos S. I. dos corpos de tropa de artilharia, que dispõem, para esse fim, alem dos observatórios instalados por seus meios (ver art. I) :
– dos oficiais de informações dos grupos e agrupamentos;
– dos destacamentos de ligação junto à infantaria.
ARTIGO VI
S. I. A. Vizinhos
39. Em todos os escalões, o S. I. A. deve manter-se em ligação com os S. I. A. dos escalões superiores e inferiores e com os S. I. A. das unidades vizinhas.
Em cada escalões, as informações provenientes dos S. I. A. dos escalões vizinhos correspondentes permitem muitas vezes identificar e precisar a posição de certos objetivos situados fora da zona de busca do S. l. A. considerado ou desenfiados de seus observatórios terrestres.
ARTIGO VII
Informações fornecidas pelas Segundas Secções
40. O S. I. A. de uma grande unidade mantem-se em ligação contínua com a 2ª Secção correspondente. Transmite-lhe as informações obtidas, às quais acrescenta todas as explicações ou observações necessárias. Por seu lado, a 2ª Secção comunica ao S. I. A. todas as informações que lhe possam ser uteis. Tais informações podem provir-lhe em particular :
– do Serviço de informações dos corpos de tropa de infantaria ou de cavalaria;
– do interrogatório dos prisioneiros;
– do estudo dos documentos apreendido;
– das escutas ;
– do serviço de informações da Aeronáutica.
a) Serviço de informação dos corpos de tropa de infantaria ou de cavalaria.
41. As partes diárias dos oficiais de informações dos regimentos fornecem, no parágrafo “Artilharia”, todas as informações úteis ao S. I. A.
b) Prisioneiros.
42. As informações fornecidas por prisioneiros são particularmente preciosas quando se trata de artilheiro.
Neste caso, é preciso esforçar-se para dele obter as indicações das baterias, dos depósitos de munição, dos P. C. de artilharia, observatórios, etc., que conhece ou perto dos quais tenha podido passar.
c) Documentos.
43. Os documentos podem ser, quer documentos particulares, quer documentos oficiais: estes últimos constituem, evidentemente, a fonte de informações mais seguras, sob a condição de que sua autenticidade possa ser verificada e seu valor atual precisado.
Os documentos podem fornecer ao S. I. A. numerosas informações sobre a artilharia inimiga (organização, material, emprego, etc.) .
d) Escutas.
44. As escutas, por sua natureza, fornecem boas informações à artilharia.
– As escutas telefônicas, principalmente quando as linhas são simples, podem permitir surpreender as conversações entre observatórios e baterias;
– As escutas radiogoniométricas, dando indicações sobra a localização dos P. C., permitem deduzir informações muito úteis sobre o dispositivo da artilharia inimiga.
e) Serviço de informações da Aeronáutica.
45. Este serviço, que funciona no escalão D. I. e no escalão Exército, mantem-se em ligação constante e direta com o S. I. A. e proporciona a este último todas as informações úteis, principalmente as fotografias aéreas e os relatórios dos reconhecimentos à vista.
ARTIGO VIII
Baterias de localização
46. A. “Bateria de localização” é uma unidade que, dispondo de aparelhos aperfeiçoados de observação e de escuta, tem por missão :
a) determinar a posição das baterias inimigas pela observação das chamas, clarões, fumaças e fenômenos acústicos, provenientes dos tiros dessas baterias;
b) exercer a vigilância geral do campo de batalha;
c) regular os tiros da artilharia em certos casos particulares.
47. As baterias de localização sendo elementos de Exército, são acionadas pelos S. I. A. dessas grandes unidades; podem, no entanto, ser atribuídas pelo Cmt. do Ex. às D. I., e neste caso caberá ao respectivo S. I. A., empregá-las.
Uma bateria de localização compreende essencialmente : 1 Secção de Comando. 2 Secções de localização por observação terrestre (S. L, O. T.) e uma Secção de localização pelo som (S. L. S. ).
A organização pormenorizada destas unidades, o reconhecimento e a ocupação das posições e suas condições de funcionamento são indicadas nos regulamentos especiais.
CAPÍTULO IV
EXPLORAÇÃO DAS INFORMAÇÕES PELOS S. I. A
48. Para bem cumprir sua missão o S. I. A. deve:
– centralizar as informações;
– interpretá-las ;
– difundí-las.
ARTIGO I
Centralização das informações
49. A centralização das informações exige meios de transmissões seguros e numerosos.
Em todos os escalões pode o S. I, A. utilizar, inicialmente, os meios de transmissões de que dispõe o Comando junto de quem trabalha; se for necessário, pede os meios suplementares que lhe sejam indispensáveis.
É desejável que os S. I. A. de D. I. e Ex. disponham, sempre que possível, de um posto receptor de T. S. F. especial para captar as mensagens do avião.
ARTIGO II
Interpretação das informações
50. A interpretação das informações compreende duas operações :
1ª exame critico das informações obtidas;
2ª,seu cruzamento (cotejo, verificação) .
1ª Exame crítico
51. O exame crítico de uma informação consiste em determinar-lhe o grau de precisão. Esta precisão depende, antes de tudo, das condições em que a informação foi obtida e do valor técnico e moral de quem a obteve.
Assim localização de uma bateria por uma S. L. O. T. é certamente mais exata, quando o recobrimento se der pelo clarão, do que quando o for pela fumaça mormente com vento forte; do mesmo modo uma informação fornecida por um observador aéreo será tanto mais precisa quanto maior for o número de minúcias planimétricas mencionadas na carta, ou no plano diretor existente nas circunvizinhanças do objetivo considerado, e quanto mais precisa for esta carta ou plano diretor.
Todo o oficial do S. I. A. deve, pois, conhecer :
a) os métodos de referência utilizados pelos diferentes orgãos de busca;
b) seu grau de precisão nas diversas condições de emprego;
c) o grau de confiança que pode merecer o informante, ou a fonte que lhe der a informação.
Ele poderá, conforme o caso, representar o valor das informações que receber, por um coeficiente conveniente que se denomina “de importância”.
2º Cruzamento
(Cotejo, verificação)
52. O cruzamento consiste em confrontar todas as informações de uma fonte com as de outras. Assim uma informação só será considerada exata quando cruzada, isto é, quando sua veracidade e precisão forem confirmadas por informações provenientes de outras fontes.
Porisso mesmo, desde que um chefe de S. I. A. recebe uma informação, deve comunicá-la imediatamente a todos os orgãos de busca que lhe são subordinados e também orientar suas investigações. De modo algum deverá esperar passivamente por informação e sim andar ativamente à sua procura.
53. Acontece frequentemente que, para um mesmo objetivo, o S. I. A. possuirá informações provindas de diversas fontes:
b) Se todas as informações forem incompletas, o S. I. A. as todas as indicações uteis sobre a natureza e a situação do objetivo (fixadas por coordenadas, sempre que for possível), poderão ser:
– mais ou menos comparáveis e neste caso se está de posse da verdade;
– ou contraditórias.
Neste último caso o S. I. A. interpreta, então, cada uma delas, compara-as e faz todo o possível para descobrir a verdade, mediante estudo meticuloso, levando em conta os coeficientes de importância atribuidos a cada informação.
Aos poucos chegar-se-á a precisá-las com exatidão.
b) Se todas as informações forem incompletas, o S. I. A. as combina e, levando em conta o coeficiente de cada um, determina a localização e as características mais prováveis do objetivo.
As operações de cruzamento são muito facilitadas pela fotografia. Todo objetivo que for assinalado por uma fonte qualquer e sobre o qual exista dúvida, deve provocar um estudo fotográfico da região interessada.
Para que o S. I. A. possa efetuar utilmente estas operações, é absolutamente indispensável que todas as informações, mesmo as incompletas, que lhe são enviadas, indiquem sempre seu grau de
precisão.
ARTIGO III
Difusão das informações
54. A informação que não possa ser explorada em tempo util, nenhum valor será, qualquer que seja sua importância e exatidão. Sua difusão é imprecindivel. Para isto o S. I. A. expede um certo número de documentos, destinados tanto ao Comando como aos executante. A forma de cada documento pode variar conforme a situação tática, devendo, porem, sempre que possivel, seguir as indicações do capítulo I do titulo II.
Em caso de urgência, a informação será sempre difundida pelo meios mais rápidos como sejam: telefone, agentes de transmissões, etc. Seu grau de precisão deverá ser sempre indicado.
TÍTULO II
Funcionamento do S. I. A. nos diversos escalões
CAPÍTULO I
ORGANIZAÇÃO DO S. I. A. NOS DlVERSOS ESCALÕES-MISSÕES
ARTIGO I
O S. I. A. nos corpos de tropa da artilharia
55. Nos agrupamentos, o S. I. A. é dirigido por um oficial pertencente ao E. M. do R., que se denomina: “oficial de observação e de informação” (4), o qual será o chefe do Serviços de Informações da Artilharia.
Nos grupos, este serviço será executado pelo "oficial observador" do grupo.
Tais oficiais terão por auxiliares:
A) No Agrupamento : um pessoal de observação e regulação, compreendendo 2 sargentos. 2 cabos e 5 praças de modo a poder constituir 2 postos (5).
B) No Grupo: um pessoal de observação e regulação, compreendendo 3 sargentos, 2 cabos e 2 praças.
56. Este serviço dos corpos de tropa de artilharia tem por missão:
1º, colher informações de toda natureza sobre:
– O inimigo;
– O objetivo para a artilharia amiga;
– Os tiros da artilharia inimiga.
2º transmitir tais informações ao Comando para permitir sua imediata exploração, se a situação o exigir, como também ao S. l. A. da D. I.
O S. I. A. no Grupo
57. O oficial observador do grupo, sob a direção do respectivo Comandante, procede ao reconhecimento do ou dos observatórios, estabelece as prescrições a eles relativas e transmite o mais rapidamente possível ao S. l. A. do agrupamento as características do ou dos observatórios, bem como os resultados do giro do horizonte executado de cada um deles, indicando em cada caso a precisão das determinações correspondentes.
Compete-lhe tambem assinalar os tiros inimigos, particularmente aquele a que forem submetidas as unidades de seu grupo e ordenar a coleta dos fragmentos de projeteis, assegurando sua remessa ao agrupamento.
58. Toda vez que aparecer um objetivo, o observador informa ao Comandante do Grupo:
– O resultado de sua visada sobre o mesmo;
– Sua posição, referida a pontos conhecidos;
– Sua natureza (observatório, tropa, bateria, clarão, fumaça, chamas, etc. ) ;
– Se possivel, o ponto ou a zona sobre a qual atira qualquer bateria-objetivo ;
– Toda informação complementar julgada util.
O oficial observador do grupo transmite todas estas informações ao 8. I. A. do agrupamento, após tê-las precisado se julgar necessário.
O S. I. A. no Agrupamento
59. O oficial, chefe do S. I.A. do Agrupamento deve:
– coordenar a organização da observação no agrupamento, ajustando principalmente, o mais cedo que for possível, a orientação dos observatórios (Anexo IV) ;
– centralizar e interpretar as informações recebidas dos S. I. A. dos grupos e das fontes de que dispõe;
– organizar a coleta dos fragmentos de projeteis e sua verificação;
– difundir as observações que obtiver.
Alem disto compete-lhe propor ao Comandante do Agrupamento um sistema de alvos auxiliares (vide n. 66).
60. Se as características dos observatórios estão apenas determinadas aproximadamente, se não existir plano diretor nem dados topográficos, ele então:
1º, procura fazer englobar no giro de horizonte de cada observatório os pontos bem nítidos do terreno, a partir dos quais os objetivos possam ser designados;
2º, verifica se cada observatório possue um exemplar do esboço perspectivo de sua zona de ação vista dos outros observatórios;
3º, providencia afim de que a determinação das posições relativas dos observatórios do grupo e do agrupamento seja homogênea e que suas respectivas orientações sejam comparaveis;
4º, fixa, caso seja necessário, uma quadrícula única para o agrupamento (anexo II).
61. Organiza desde logo o plano dos objetivos (6) (ou um esboço panorâmico cotado).
62. O Chefe do S. I. A. do agrupamento recebe as informações colhidas pelo oficial de ligação do agrupamento junto ao R. I. apoiado.
O pessoal de ligação com a infantaria acha-se efetivamente em boas condições de prestar grandes serviços não só nos períodos de estabilização como principalmente, durante os períodos de movimentos.
Este pessoal pode fornecer:
– informações relativas aos tiros inimigos dirigidos contra a infantaria;
– elementos de informações, recolhendo os fragmentos de projeteis identificaveis. enviando-os ao Chefe do S. I. A. do agrupamento (vide número seguinte).
63. Organiza a coleta dos fragmentos de projeteis inimigos na zona que o S. I. A. Divisionário designou ao agrupamento, identificando-os. Se não possuem os meios necessários à identificação alguns deles, envia-os ao S. I. A. da D. I.
64. Quando o S. I. A. do Agrupamento dispuser de outras fontes de informações alem das terrestres, interpreta as informações provenientes de cada fonte e precisa o mais que puder a posição do objetivo.
As informações sobre a artilharia inimiga devem, tanto quanto possível, responder aos três quesitos seguintes:
– Onde? – Relativamente à situação da bateria;
– Quando? – Hora em que foi vista em ação;
– Como? – Sobre o gênero de tiro e se possível número de peças, número aproximado de tiros, direção destes ou zona batida.
65. Toda informação obtida por um S. l. A. de Agrupamento será sem demora, transmitida:
– ao S. I. A. da D. I.;
– ao S. I. A. dos Agrupamentos vizinhos;
– ao Comandante das tropas em ligação com o escalão de artilharia do qual depende o S. l. A.
A estes destinatários tambem será sempre enviado, em fim de jornada, um relatório escrito, onde particularmente se indicarão:
– os tiros inimigos a que foram submetidas as unidades do agrupamento;
– as informações dos observatórios;
– os resultados dos estudos dos fragmentos dos projeteis.
66. O Chefe do S. I. A. do Agrupamento, pelo conhecimento que tem da zona dos objetivos e da organização da observação no Agrupamento, está naturalmente apto para indicar ao Comandante do Agrupamento os alvos auxiliares. Este os fixa, após entendimento com o Comandante do Grupo, se julgar necessário.
Inicialmente, os alvos auxiliares serão exclusivamente pontos característicos do terreno; depois deverão constituir uma rede tão densa quanto possível, estabelecida em vista de uma melhor utilização tática do conjunto dos fogos do Agrupamento.
ARTIGO II
O S. I. A. da Divisão
A) Organização e missão
67. O S. I. A. tem nesse escalão um papel importante e, muitas vezes, primordial.
É assegurado por oficiais especializados, que servirão junto às A. D., dispondo do pessoal que lhes permita divulgar todos os documentos necessários e conservar nos arquivos, os dados dos resultados obtidos.
É encarregado de coordenar os esforços dos S. I. A. dos agrupamentos, centralizar, estudar e difundir todas as informações obtidas sobre os objetivos que interessam à respectiva A. D.
Deverá esforçar-se por obter, de acordo com os meios que possuir, o máximo de informações sobre a artilharia inimiga, não só para informar o S. I. A. do Ex., onde normalmente estas informações são centralizadas, como tambem porque é necessário que ele possa, em qualquer ocasião, prestar essas informações ao Gen. Cmt. da A. D., porquanto este General poderá ser encarregado, na zona de ação da sua I). I.. de dirigir a execução de contra bateria ou de regulá-la em suas minúcias.
68. O S. l. A. de D. I. dispõe, para executar suas missões, de numerosas fontes, especialmente dos S. I. A. dos agrupamentos e, eventualmente, das baterias de localização.
Funciona o S. I. A. nas proximidades da 2ª Secção do E. M. da D. I. e, em mantendo com ela estreita e constante ligação, deve tomar conhecimento das inúmeras informações, que ali são coletadas, principalmente das que proveem da aeronáutica.
Afim de que tais ligações possam ser asseguradas nas melhores condições, devem, quando da instalação do Q. G. e P. C., aproximar-se uns dos outros os diversos serviços de informações. Alem disto o chefe da 2ª Secção deve organizar reuniões periódicas, diárias ou não, de acordo com a atividade das operações, para as quais são convocados:
– o Chefe do S. I. A.;
– o Chefe do S. I. das Unidades Aéreas;
– um oficial da 3ª Secção, designado pelo chefe do E. M.;
– um oficial do serviço de transmissões.
B) Documentos a fornecer
69. Distribui periodicamente o S. I. A. documentos destinados ao Comando e aos executantes.
O valor destes documentos e sua amplitude variam em função de tempo de que se dispõe; serão tanto mais completos e suscetíveis de maior exploração, quanto mais estabilizada for a situação.
1º Documentos elaborados pelo S. l. A. da D. I., destinados ao Comando
70. Estes documentos são estabelecidos com o duplo sinete da 2ª Secção do E. M. da D. I. e do S. I. A. e se destinam à D. l. e ao Exército, sendo, alem disso, enviados a todos os órgãos de busca da D. I., aos S. I. A. das D. I. vizinhas e ao S. I. A. do Exército.
Compreendem:
a) a carta das baterias inimigas;
b) a carta das zonas batidas pela artilharia inimiga;
c) a carta dos objetivos importantes;
d) o gráfico da atividade da artilharia inimiga;
e) o boletim de informações.
Para cada uma das informações registadas deve ser mencionado o grau de precisão com a que a mesma possa ser considerada.
71. A carta das baterias inimigas deve permitir que se faça, rapidamente, uma idéia do desdobramento da artilharia inimiga, de sua atividade, do gênero de tiro de cada uma das baterias referidas e do grau de precisão com que essas referências foram feitas.
Estas informações são mencionadas na carta com sinais convencionais.
72. A carta dos objetivos importantes indica os pontos sobre os quais se produzem as manifestações da atividade inimiga e a natureza dessas manifestações (movimentos, trabalhos, locais de reunião, de estacionamentos, de desembarques, organizações de depósitos, etc.). Se estas manifestações se produzidem periodicamente, a carta precisa as horas em que se efetuam.
Tal carta também indicará os P. C., P. O., centros de transmissões, etc., referidos.
73. A carta das zonas batidas pela artilharia inimiga deve indicar três zonas com nitidez e servir para toda a unidade que chegue ao setor. É estabelecida por períodos, semanalmente, por exemplo, permitindo assim verificar a mudança de regime dos tiros inimigos.
74. O gráfico da atividade da artilharia inimiga indica a comparação entre o número de tiros dados em dois períodos de tempo iguais e consecutivos. É estabelecido por períodos, dia ou semana, conforme as circunstâncias.
Tal documento visa permitir fazer uma idéia da atividade relativa da artilharia inimiga.
2º Documentos publicados pelo S. l. A. da D. I. e destinados aos executantes
75. Estes documentos se destinam às A. D., aos Agrupamentos e aos Grupos e compreendem:
a) a relação das baterias inimigas;
b) a relação das posições suspeitas;
c) a relação dos objetivos importantes;
d) os boletins de informações.
76. A relação das baterias inimigas indica, em resumo, as informações constantes das fichas das baterias (nº 81).
77. Relação das posições suspeitas – Na previsão de um ataque, as baterias inimigas atiram comumente de posições de circunstâncias, diferentes das de combate. O S. I. A, não disporá de tempo suficiente para referir todas elas se esperar que se revelem no dia do ataque.
Prepara seus trabalhos pelo estudo das fotografias aéreas, onde anota as posições suspeitas (trabalhos, caminhos cobertos, orlas, etc.). Estas posições recebem uma matrícula; se houver tempo, elas são cuidadosamente amarradas pela Secção topográfica da D. l., o que permite obter dados exatos sobre sua localização. Organiza-se uma relação delas, a qual é fornecida à aviação para referi-las antecipadamente.
No dia do combate, se algumas destas posições estiverem realmente ocupadas, poder-se-á indicá-las imediatamente por T. S. F. à aviação e obter um controle rápido do tiro desencadeado sobre elas.
78. Relação dos objetivos importantes – Esta relação é estabelecida do mesmo modo que as precedentes.
79. Boletim de Informações – Este boletim, que, em princípio, sai diariamente, deve indicar:
– a atividade da artilharia inimiga;
– as baterias referidas em ação, discriminando-se as antigas já referidas e as novas;
– os objetivos amarrados;
– as informações sobre a circulação e aviação inimigas;
– qualquer outra informação que diga respeito à atividade do inimigo, bem como as pedidas pela 2ª Secção.
80. Arquivos mantidos pelo S. l. A. da D. I. – O S. I. A. da D. I. conserva em seus arquivos:
– os documentos por ele divulgados:
– as fichas das baterias:
– as fichas dos objetivos importantes;
– o repertório das fotografias aéreas;
– o repertório dos alvos auxiliares.
81. Fichas das baterias – Para cada bateria inimiga referida organizar-se-á uma ficha, onde constará:
A – O número de matrícula na bateria;
B – Os detalhes da posição:
1) coordenadas do centro da bateria, dos depósitos de munição, dos abrigos e dos P. C. (ou situação precisa, referida a pontos bem nítidos do terreno);
2) a extensão e orientação da linha de fogo;
3) o calibre;
4) o grau de proteção.
C – Informações relativas à sua atividade:
1) dadas pelos dias e horas;
2) objetivos e gêneros de tiros.
D – Informações complementares:
1) os alvos auxiliares;
2) os órgãos de busca que tenham assinalado a Bateria.
E – Fotografia e esboços:
1) um esboço em grande escala (1/10.000) da posição;
2) uma fotografia aérea (com indicação do número e data) que serviu para a sua amarração.
82. Fichas dos objetivos importantes.
O S. I. A. da D. I. executa para estes objetivos um trabalho análogo ao previsto no número anterior.
83. O repertório das fotografias do setor permite achar-se rapidamente os arredores de um ponto indicado por suas coordenadas ou por qualquer outro meio. Isto será facilitado traçando sobre o plano diretor ou cartas que se possue, a zona do terreno representada em cada fotografia.
84. Repertório dos alvos auxiliares (7).
Este repertório indica:
– a natureza do alvo auxiliar, sua descrição e sua silhueta;
– a situação deste alvo por suas coordenadas, sejam:
a) cruzadas, ou
b) amarradas.
– as regiões de observação donde estes alvos são visiveis.
Sempre que for possivel, far-se-á desenhar para cada observatório um esboço perspectivo sucinto no qual os alvos auxiliares serão assinalados com suas distâncias e derivas de orientação.
ARTIGO III
O S. I. A. de Exército
A) Organização e missão
85. O S. I. A. de Ex. tem, na batalha, um papel primordial.
É mantido por oficiais especializados, que servem junto à A. Ex. e dispõem de pessoal necessário à boa e rápida execução das múltiplas missões que lhe competem.
Cabe-Ihe essencialmente:
– orientar e coordenar os esforços dos S. I. A. divisionários;
– centralizar, estudar e difundir todas as informações sobre a artilharia inimiga;
– fixar, em definitivo, os dados duvidosos;
– obter os elementos relativas à atividade e desdobramento da artilharia inimiga, que fornecem indícios seguros sobre a provavel ordem de batalha adversária;
– estabelecer os elementos necessários para a melhor eficiência da contra-bateria e tiros contra objetivos longinquos importantes;
– assegurar a continuidade do serviço, por ocasião das substituições das D. I.
Deve particularmente:
– reunir todas as informações relativas aos objetivos de artilharia, qualquer que seja a sua fonte;
– precisar a situação dos objetivos duvidosos ou sobre os quais os S. I. A. subordinados e vizinhos forneçam informações contraditórias;
– fornecer aos escalões subordinados os dados e meios necessários ao bom desempenho de suas missões;
– exercer a fiscalização técnica sobre os S. I. A. das D. I.;
– fornecer ao Comando (Ex., A Ex.) as informações ou trabalhos de coordenação necessários ao esclarecimento da importância, dispositivo e atividade da artilharia inimiga na zona de ação do Exército.
86. O S. I. A. de Ex. dispõe, para executar suas missões, de numerosas fontes, especialmente do S. l. A. de D. I. e das baterias de localização.
Estas, quando necessário, podem, para emprego, ser atribuídas, total ou parcialmente, às D. I. e neste caso, cabe ao S. I. A. do Ex. coordenar as suas ações.
87. O Chefe do S. I. A. do Ex., sempre que as circunstâncias o permitirem, reunirá freqüentemente (periodicamente, se possivel), os chefes dos S. I. A. de D. I., examina com eles os resultados obtidos, dando-lhes instruções e informações.
Um representante da 2ª Secção e outro do Serviço Topográfico do Exército assistem a estas reuniões, durante as quais o Chefe do S. I. A. do Ex. estuda as matrículas dos objetivos novos colhidos pelos próprios meios, ou indicados provisoriamente pelos S. I. A. das D. I.
Se se operar em uma zona da qual existam planos diretores ou um sistema comum de coordenadas preferido pelo Exército, ele adota as coordenadas que, após discussão, pareçam ser as mais exatas.
Se novas informações ou uma interpretação mais profunda das antigas informações tendem a modificar as coordenadas dos objetivos anteriormente referidos, ele prepara as retificações necessárias.
A atribuição de coordenadas só se torna definitiva depois de aprovação do chefe da 2ª Secção.
B) Documentos a fornecer
88. O S. I. A. do Ex. publica documentos destinados ao Comando, e aos executantes, análogos aos do S. I. A. de D. I.
O valor, a amplitude e precisão desses documentos dependem da maior ou menor estabilidade das operações bem como do tempo disponível para a sua elaboração.
1º – Documentos publicados pelo S. I. A. do Ex. e destinados ao Comando
89. Estes documentos são elaborados com o duplo indicativo da 2ª Secção do E.M. Ex. e do S. I. A. Ex., e se destinam ao Comando das D. I. do Ex. de que faz parte e dos Exércitos vizinhos.
São tambem enviados aos S. I. A. subordinados e vizinhos.
Compreendem:
a) carta do desdobramento da artilharia inimiga;
b) carta das zonas batidas pela artilharia inimiga;
c) carta dos objetivos importantes, principalmente os que estão fora das zonas de combate imediato das D. I.:
d) gráfico da atividade da artilharia inimiga;
e) boletim de informações.
A sua elaboração é feita de acordo com as prescrições estabelecidas nos ns. 72 a 75.
2º – Documentos publicados pelo S. I. A. do Ex. e destinados aos executantes
90. Estes documentos elaborados sob o sinete do S. I. A. Ex. destinam-se aos S. I. A. subordinados e agrupamentos do Ex.
Compreendem:
a) relação das baterias inimigas;
b) relação das posições suspeitas;
c) relação dos objetivos importantes;
d) boletins de informações.
A elaboração destes documentos obedece, em princípio, às prescrições constantes dos ns. 77 a 85.
CAPÍTULO II
O S. I. A. NA BATALHA
91. A importância relativa das diferentes operações executadas pelo S. I. A. (centralização, interpretação, difusão), varia com as fases da batalha e com a natureza do teatro de operações.
Frequentes vezes o Comando julgará que uma informação deverá ser imediatamente explorada, e que a rapidez de abertura do fogo sobre o objetivo referido deve levar vantagem sobre o valor da precisão. A difusão preterirá, então, qualquer outra consideração. Outras vezes, ao contrário, o Comando julgará que a situação não exige uma exploração imediata das informações e determinará sua centralização e interpretação no escalão D. I.
A ação do Comando traduz-se, para todo S. I. A., pela remessa de ordens aos órgãos de busca que lhe são subordinados e por pedidos dirigidos aos órgãos de busca dos S. I. A. que trabalham em outros escalões.
Conforme a fase do combate e natureza dos objetivos o S. I. A. menciona, em suas ordens ou pedidos, a prioridade a dar aos diferentes destinatários das informações:
– S. I. A. do escalão superior;
– S. I. A. do escalão inferior;
– Executantes (A.D., agrupamento, grupo).
ARTIGO I
Marcha de aproximação e tomada de contacto
92. A marcha de aproximação é a marcha executada por uma Grande Unidade, a partir do momento que penetra na zona onde pode ser atingida pelo canhão inimigo.
93. As características desta fase da batalha, sob o ponto de vista da busca de informações e de sua exploração, são as seguintes:
– transmissões pouco numerosas, donde centralização e difusão difíceis;
– fracas quantidades de munições a despender, em consequência da dificuldade de reabastecimento;
– objetivos essencialmente moveis, donde necessidade de atacá-los pelo fogo, desde que sejam descobertos;
– nas zonas que possuem cartografia precária, não será possivel efetuar operações topográficas precisas; isso impedirá muitas vezes a determinação exata de um objetivo por suas coordenadas;
– os órgãos de busca não funcionam em sua totalidade; em particular, o desdobramento das secções de localização, que exige um certo tempo, é incompatível com o avanço das tropas.
94. Para que sejam exploráveis, as informações devem ser precisadas e difundidas o mais rapidamente possivel. Nestas condições, a ação do S. I. A. em proveito das unidades de artilharia será particularmente difícil no escalão D. I.; ela será eficaz nos escalões, agrupamento e grupo, sendo, nesse caso, a observação terrestre destes escalões a principal fonte de informações.
95. Os S. I. A. de agrupamento e grupo organizaram a observação terrestre em função do avanço das tropas; esforçam-se para determinar tão exatamente quanto possivel, a posição relativa dos diferentes observatórios e baterias; estudam o terreno, esforçam-se para determinar as posições da artilharia inimiga e os objetivos importantes, muitas vezes faceis de serem referidos nesta fase da batalha.
As informações, exploradas imediatamente no âmbito do agrupamento, são, por outro lado, transmitidas aos escalões superiores, os quais podem, desta forma, manter-se ao corrente da atividade inimiga.
96. O S. I. A. de D. I. mantem-se pronto a funcionar, no menor espaço do tempo, com a totalidade de seus meios.
Para isto:
– acompanha a situação pelas informações dos S. I. A. subordinados, os reconhecimentos, as fotografias aéreas e as informações da 2ª Secção;
– toma a formação mais aproximada, que Ihe for possivel, daquela que terá no período que precede imediatamente ao ataque;
– em ligação com a S. T. D. I. esforça-se por combinar as operações topográficas dos agrupamentos no que concerne às posições dos observatórios e suas direções origens.
97. O Chefe do S. I. A. de D. I. fica, em princípio, perto do General Comandante da artilharia da D. I. e destaca um oficial para o centro de informações avançado; mantem-se por outro lado em ligação constante com o Serviço de Informações da Aeronáutica.
Logo que a infantaria encontre uma resistência um pouco séria, ele organiza um escalão avançado do S. I. A, nas proximidades dos órgãos de busca e do centro de gravidade do desdobramento da artilharia; um outro escalão fica perto do posto de comando da D. I.; mantem o contacto com a 2ª Secção e o Serviço de Informações da Aeronáutica, estuda as fotografias aéreas e transmite ao escalão avançado todas as informações que puder recolher.
98. As baterias de localização podem ser postas, pelo Exército, à disposição de certas Divisões; são constantemente mantidas em condições de se desdobrarem e de funcionarem rapidamente.
Para isto, o Comandante da bateria de localização deve receber informações relativas:
– à situação;
– ao eixo (ou eixos) e à formação de marcha da bateria de localização;
– ao eixo de transmissão a que se deve ligar;
– às zonas de vigilância normais e eventuais;
– às ligações a manter;
– aos dados que se possue sobre a artilharia inimiga.
O Comandante da bateria de localização conserva-se em ligação com os setores e com o Chefe do S. I. A. da D. I. e Ex.
99. Durante toda a duração da marcha de aproximação cada S.L.O.T. tem permanentemente, pelo menos, um observatório em posição.
Os postos alternam-se entre si de modo a ocupar, conforme a progressão das tropas amigas, os pontos do terreno que tenham vistas extensas sobre a zona inimiga e permitam ver os observatórios do agrupamento (ou dos pontos próximos).
Determina no decorrer desse avanço as coordenadas relativas dos novos observatórios em relação aos primeiros, e liga aproximadamente, de início, os observatórios de agrupamento aos observatórios do posto, de modo a possuir um conjunto topográfico homogêneo, que facilitará a determinação dos objetivos e a exploração das informações.
O posto central da secção é mantido na retaguarda ou instalado nas proximidades do posto em posição. As informações recolhidas são comunicadas imediatamente pelo chefe da S.L.O.T. às tropas de artilharia vizinhas, e pelo eixo de transmissões, ao representante do S. I. A. que se acha no centro de informações avançado da D. I.
100. A S. L. S. é puxada inteiramente para a frente, devendo sua testa achar-se, em princípio, na altura do grosso da D. I.
101. Em todos os casos, a bateria de localização (S.L.O.T. e S. L. S.) participa, com as S. T. D. I. e os órgãos dos agrupamentos, nas determinações topográficas que se tornem necessárias, seja pela ausência de carta em grande escala, seja pela obrigação de tornar homogêneas as determinações dos diversos observatórios com o fim de permitir obter cruzamentos úteis.
102. O Chefe do S. I. A. do Exército não pode exercer ação útil, durante a marcha de aproximação. Mantem-se, entretanto, ao par da situação, fiscaliza o desdobramento dos S. I. A. de D. I. e das baterias de localização postas à disposição das Divisões. Certifica-se acerca do dispositivo adotado, afim de verificar se ele garante a continuidade de ação das diferentes secções empenhadas.
Reune, enfim, as informações que recebe e assegura a exploração das mesmas.
ARTIGO II
Frente estabilizada e calma
103. Se a frente se estabiliza, o S. I. A. pode atingir progressivamente seu completo desenvolvimento e seu máximo rendimento.
Traga o Comando um plano de defesa minucioso. Missões precisas são atribuídas a cada formação de artilharia em caso de ataque inimigo.
Em período calmo, a artilharia pode ter interesse em se manter silenciosa de maneira a não ser localizada e a poder, no momento preciso, cumprir plenamente suas missões.
No período que precede à retomada das operações ofensivas, os tiros necessários são executados de posições provisórias para as quais são destacados, por um tempo geralmente curto, alguns elementos nômades (secções ou baterias) do sistema normal de defesa.
(7) Para permitir as Baterias executarem tiros particularmente eficazes sem grande dispêndio de munições, o S. I. A. determina, nas regiões provaveis das baterias inimigas, as coordenadas de pontos bem nítidos do terreno, tais como casas, árvore isolada, etc., que possam servir de alvos auxiliares. E' preferivel que o número destes pontos sejam suficiente, para permitir escolher, dentre eles, um que não dê senão fracos erros, quando tiver que ser que ser utilizado para um transporte de tiro. Extatindo razões para que se ponha em dúvida a exatidão da planimetria do plano diretor, as coordenadas de cada alvo auxiliar serão determinadas:
a) pela amarração fotográfica;
b) por interseção de observatórios.
As coordenadas do alvo auxiliar serão tomadas pelo executante no mesmo sistema das do alvo definitivo (se este for amarrado, tomar as coordenadas amarradas do alvo auxiliar; se o objetivo é determinado pela S.L.O.T. tomar as coordenadas do alvo auxiliar obtidas pela S.L.O.T., etc.).
104. A exploração imediata das informações pelos grupos e baterias, só se justifica em casos bem determinados. As baterias inimigas raramente atiram tiros correntes de suas posições normais de combate; contrabatê-las logo que aí se revelem, seria prevení-las desnecessariamente e, nessas condições, elas não permaneceriam mais nessas mesmas posições, quando fosse azado destruí-las ou neutralizá-las.
O Comando pode, todavia, determinar que sejam reduzidas ao silêncio certas baterias cujo tiro, particularmente ativo, seja prejudicial às suas intenções (baterias cujo tiro perturba os trabalhos executados tendo em vista uma ofensiva, os reabastecimentos, etc.) .
105. Não tendo a exploração um carater de urgência, os S. I. A. de D. I. e de Exército podem centralizar e interpretar as informações
106. Os S. I. A. de agrupamento e de grupo aperfeiçoam a observação terrestre, estudam seu setores, assinalam as modificações que o nimigo introdús em suas organizações assim como toda a manifestação de sua atividade e manteem constantemente alerta a atenção de seus observadores.
107. O S. I. A. de D. I. torna homogênea, se isto não tiver sido ainda feito, a organização da observação; esforça-se em determinar as posições das baterias ativas e daquelas que o inimigo só deseja revelar no último momento. Para tal muito concorrem os conhecimentos dos regulamentos do inimigo, o estudo das fotografias aéreas, as informações dadas pelos prisioneiros e os documentos apreendidos.
Os repertórios desses objetivos são constantemente mantidos em dia e comunicados aos diferentes orgãos de busca cuja atenção deve estar permanentemente voltada para eles.
108. O S. I. A. de Exército por seu lado, procura determinar por seus próprios meios, o dispositivo da artilharia inimiga e seguir as modificações de sua atividade.
Depura as informações contraditórias que pode receber das diferentes fontes de informações.
109. Em todos os escalões, a atenção do S. I. A. deve voltar-se particularmente para os trabalhos que o inimigo possa executar visando passar à ofensiva e para a determinação de todos os objetivos importantes. Estuda a circulação, procura as pistas, os depósitos de material e de munições, as posições de baterias novas, etc.
110. Todos as informações são difundidas nos documentos enumerados no Capítulo I do presente Título (ns. 69 a 84; 89 e 90).
ARTIGO III
Ofensiva
111. O ataque pode ser precedido de uma preparação de artilharia destinada a paralizar a organização inimiga, destruindo os obstáculos passivos (redes de arame, etc.) neutralizando os orgãos de resistência ativa (pontos de apoio, ninhos de metralhadoras e baterias) .
O inimigo pode responder a esta preparação por uma contra-preparação na qual tomarão parte as baterias de seu sistema normal de defesa.
O atacante conhece, na maioria das vezes, apenas uma fração das posições de baterias inimigas: por outro lado, a duração da preparação, o número de bocas de fogo, que é possivel destinar à contra-bateria e o consumo, são limitados; a contra-bateria só deverá, portanto, realizar-se, em princípio, sobre as baterias exatamente referidas.
Durante o ataque propriamente dito, a infantaria progride comumente de objetivo em objetivo, por uma série de esforços sucessivos, apoiada à pequena distância por uma parte da artilharia, enquanto que outras baterias teem por missão neutralizar a artilharia adversa.
O sucesso da contra-bateria dependerá, de maneira consideravel, da precisão com que foram referidas as baterias inimigas conhecidas. O ataque dos objetivos que se revelam no decorrer da ação (baterias não referidas, objetivos inopinados, etc.) será tanto mais imediato e eficaz quanto mais cuidadoso for o estudo feito a respeito dos “objetivos suspeitos”.
A.) Antes do ataque
112. Se o ataque é precedido de uma preparação mais ou menos importante, o S. I. A. aproveita a reação do defensor para determinar ou precisar as posições de suas baterias e dos objetivos até então desconhecidos ou duvidosos.
Em geral, esta operação será dificil no caso de preparações pouco possantes e de curta duração, a menos que a defesa já tenha revelado todo ou parte de seu sistema de artilharia.
113. A eficácia da ação do S. I. A. depende principalmente do tempo que poude dispor para se organizar. No caso de uma preparação de curta duração (ou de um ataque por surpresa), o funcionamento do S. I. A. nos diferentes escalões deve ser então francamente descentralizado.
114. Os orgãos de busca dos grupos e agrupamentos divisionários são orientados, em princípio, para os objetivos cuja resistência se opõe, à pequena distância, à progressão da infantaria. Todas as vezes que for possivel, deverão contribuir nas buscas do S. I. A. de D. I. cujo papel é importante.
115. O chefe do S. I. A. da D. I. mantem-se, em princípio, perto do Cmt. da A. D. e conserva-se em ligação com a 2ª Secção e o Cmt. das Unidades Aéreas da D. I.
Indica aos orgãos subordinados as zonas dos agrupamentos e providencia para que seus orgãos de informações possam referir o maior número possivel de baterias e objetivos importantes.
116. Essas informações reunidas no S. I. A. da D. I. permitem a este:
– seja encontrar em seus arquivos a posição exata do objetivo assinalado;
– seja encontrar nas vizinhanças dos pontos indicados, indícios de trabalhos que Ihe tenham escapado até esse momento; a amarração permitirá então obter e difundir as características exatas desse objetivo ;
– seja fazê-las precisar por outras fontes e deduzir assim, por confronto, os dados mais exatos.
117. O S. I. A. da D. I. deve difundir, antes do ataque o a uma hora fixada pelo comando, as informações obtidas, especificando seu grau de precisão.
118. O chefe do S. I. A. do Ex. indica aos diferentes orgãos, que lhe são subordinados, as zonas normais dos agrupamentos de artilharia, principalmente os de Exército e coordena a ação dos mesmos, de modo à obter o máximo de informações sobre a artilharia inimiga (Bias. P. O., C. Trans., Depósitos, etc.) .
119. Todo orgão de busca, que tenha referido uma bateria ou um objetivo importante, deverá enviar suas características; o mais rapidamente possivel:
– em 1ª urgência: ao agrupamento interessado;
– em 2ª urgência: ao S. I. A. do qual depende diretamente.
120. As baterias que os S. I. A. referem antes do ataque, classificam-se em três categorias :
a) baterias anteriormente referidas em ação;
b) baterias que se revelam pela primeira vez ou de posições amarradas ;
c) baterias que se revelam em posições até então desconhecidas.
Os orgãos de busca teem por missão assinalar o mais cedo possivel a entrada em ação de baterias das categorias a e b.
As primeiras informações concernentes às baterias da categoria c são comumente imprecisas. Todavia, são transmitidas aos agrupamentos interessados e ao S. I. A. do Ex. ou de D. I., caso sejam exploraveis. Entretanto, levando em conta a duração da preparação e as munições gastas pela contra-bateria, o Comando pode ordenar que se precise a informação antes de fazê-la explorar.
Quando uma bateria da categoria c foi precisada, passa automaticamente para a categoria a e a informação é imediatamente difundida.
B) Durante o ataque
121. Enquanto que, antes do ataque, o estudo da informação pode ser feito anteriormente à sua exploração, esta torna-se imediata e indispensavel para o tiro quando o ataque é desencadeado.
Em todos os escalões, o S. I. A. contribue para descobrir e referir os objetivos que se revelam.
Devendo toda a bateria em ação ser contrabatida, uma vez que as munições creditadas o permitam, impõe-se uma descentralização da contra-bateria; daí resulta uma descentralização do S. I. A.
As informações são diretamente enviadas pelas diversas fontes aos agrupamentos interessados e em seguida aos S. I. A. do Ex. ou de D. I.; estes, dispondo de uma documentação mais completa podem, na maioria das vezes, precisar a informação e melhorar as coordenadas do objetivo.
Em todos os casos, são os agrupamentos que desempenham nesta fase a parte principal; eles exploram imediatamente por seus próprios meios, as informações obtidas sobre os objetivos que descobrem.
122. Em todos os escalões o S. I. A. prepara sua progressão futura. Estuda e prepara particularmente a organização do novo sistema de observação que será necessário estabelecer na zona atualmente mantida pelo inimigo.
ARTIGO IV
Defensiva
123. Na defensiva, os preparativos de ataque inimigo escaparão, dificilmente, a um Comando vigilante e que disponha de orgãos de busca atentos. Alem disto, o número e a fixidez destes orgãos e o conhecimento do terreno permitem, antes do ataque, determinar a posição de numerosos objetivos; a rede de transmissões que foi posivel estabelecer facilita tambem a centralização e a difusão das informações.
Ao contrário, a determinação das baterias inimigas é em geral dificil, seja porque fiquem silenciosas e disfarçadas em suas posições definitivas, seja porque somente venham a ocupar estas posições algumas horas antes do ataque.
Esta indeterminação torna delicado o emprego da contra-bateria, quando esteja iminente o ataque inimigo.
A iminência do ataque poderá ser revelada por uma preparação de artilharia. A precisão do dia e hora poderá mesmo ser conhecida, principalmente pelos prisioneiros.
Compete ao comando da defesa desencadear, no momento oportuno, uma contra-preparação, cujo objetivo principal será a infantaria adversa. As baterias trazidas pelo inimigo, para a zona de reunião de sua infantaria, poderão igualmente ser contra-batidas na medida que sua determinação possa ser realizada.
Enfim, quando o ataque inimigo for desencadeado, toda a artiIharia em condições de atirar sem perigo para a infantaria amiga, participa dos fogos de deter, executados com o fim de quebrar ou dissociar o ataque inimigo, após seu desembocar.
A) Antes do ataque inimigo
124. Os S.I.A. de todos os escalões esforçam-se para informar o Comando sobre as manifestações da atividade inimiga (trabalhos, movimentos de toda a natureza, novas posições de baterias ocupadas, etc.).
São orientados particularmente para a busca das informações que irão contribuir para elaborar os diferentes planos de emprego da artilharia e que serão necessárias para a execução dos tiros previstos nestes planos.
125. A ação da artilharia exercer-se-á principalmente sob a forma de tiros sobre objetivos inopinados assinalados pelos orgãos de observação e unicamente pelos fogos de interdição e de inquietação, cujos resultados, feitos os necessários descontos, correspondam exatamente aos consumos de munição previstos (passagens obrigatórias, cobertas certamente ocupadas pelo inimigo, etc.).
Para isto, os S.I.A., operando em ligação com a 2ª Secção, esforçam-se para fornecer diariamente as informações necessárias à elaboração dos fogos de interdição.
126. Os S.I.A. procuram referir:
– As posições das baterias inimigas (estudo das fotografias aéreas, circulação, depósitos de munição, etc.) ;
– Os trabalhos executados pelo inimigo na zona da frente; esses trabalhos, que podem indicar os preparativos de ataque, são situados e imediatamente assinalados ao Comando;
– As baterias particularmente ativas e incômodas; essas baterias constituem o objeto de buscas imediatas; são assinaladas ao Comando e aos executantes logo que forem referidas.
B) No caso em que o ataque inimigo esteja iminente
127. Se o ataque inimigo é precedido de uma preparação e se o Comando da defesa prescreveu que a contra-bateria fosse executada durante a contra-preparação, o S. I. A. de Ex. fornece aos executantes as informações necessárias. Porem como os orgãos de busca perceberão neste momento numerosos fenômenos simultâneos, ser-lhes-á dificil (a menos que a artilharia inimiga não seja muito numerosa e disseminada) determinar outra coisa que não seja a ou as regiões nas quais um conjunto de baterias tenha sido referido (ninho de baterias).
Fica-se obrigado, comumente, a só executar a contra-bateria sobre as posições certamente ocupadas, que foram exatamente determinadas antes do ataque, e atacar as baterias novas apenas quando o tiro puder ser observado (observação terrestre, avião ou balão).
C) No momento do ataque
128. Quando o ataque inimigo se desencadeia, os orgãos de busca serão principalmente empregados como orgãos de vigilância do campo de batalha. Utilizando plenamente os meios de transmissão pre-estabelecidos o S.I.A. poderá constantemente indicar ao Comando e aos executantes excelentes objetivos que justifiquem tiros de artilharia.
Para isto, ordena-se de modo particular aos agrupamentos, grupos e S.L.O.T. referir os caminhamentos empregados pelo inimigo. Essas informações permitirão aos agrupamentos de ação de conjunto e de artilharia pesada adaptar seus tiros à manobra da infantaria.
Os S.I.A. de D.I. e de Ex. devem, por outro lado, voltar sua atenção para os deslocamentos da artilharia inimiga, dos quais uma idéia preliminar poderá ser feita por um estudo da carta e das fotografias aéreas. Procurará de preferência as baterias que o inimigo tenha trazido para a frente.
129. A evolução do combate pode trazer como consequência o deslocamento dos orgãos de localização. Este deslocamento necessita o reconhecimento e a determinação de novos postos, assim como a instalação de novas transmissões. Essas operações devem ser rápidas o que requer sejam elas minuciosamente preparadas.
As S.L.O.T. e as S.L.S. deslocam-se por escalões, afim de que possam garantir sempre, em condições convenientes, a continuidade da observação.
TÍTULO III
Proteção contra a ação dos S. I. A. inimigos
130. A eficácia dos fogos de contra-bateria depende estritamente da precisão com que forem referidas as posições das baterias inimigas.
É então indispensavel que a artilharia tome todas as medidas necessárias para subtrair suas posições às buscas do S.I.A. inimigo, com o fim, seja de simular a eficácia dos tiros eventualmente dirigidos contra elas, seja até mesmo de escapar a esses tiros.
Os meios para isto utilizados compreendem:
– A proteção propriamente dita dos diversos orgãos ativos da artilharia contra os diferentes processos de busca;
– Os artifícios destinados a enganar o S.I.A. inimigo.
CAPÍTULO I
PROTEÇÃO CONTRA OS DIFERENTES PROCESSOS DE BUSCA
ARTIGO I
Proteção contra a observação terrestre
131. Uma bateria desenfiada às vistas diretas revela-se a um observador terrestre seja:
– Pelas chamas;
– Pelos clarões;
– Pela fumaça ou poeira.
132. A localização pelas chamas é a mais precisa; no entanto, é facil evitá-la, bastando para isto um fraco desenfiamento.
133. A referência pelos clarões, de dia, é muito delicada, exigindo um observador particularmente habilitado; entretanto, à noite, ao cair da tarde ou ao clarear do dia, á mais facil e precisa, sendo dessa forma um dos processos mais comumente utilizados. Para evitar esse inconveniente, é necessário dar às baterias desenfiamento suficiente para o fim desejado.
134. A localização pela fumaça e pela poeira é de precisão muito aceitavel, principalmente com vento fraco.
Diminue-se a fumaça, limpando-se frequentemente a alma da peça e empregando pólvoras apropriadas. Evita-se a poeira pela escolha das posições e, caso possivel, regando constantemente o solo na frente das peças.
135. A proteção das baterias contra as vistas terrestres deve, em consequência, ser procurada:
– No desenfiamento máximo compativel com a missão (desenfiamento na direção do tiro e tambem nas direções laterais) ;
– Na supressão dos clarões, fumaça e poeira.
ARTIGO II
Proteção contra a observação aérea
136. As baterias podem ser descobertas com o auxílio do avião:
– Pelo estudo das fotografias aéreas;
– Pela observação direta.
137. O estudo das fotografias aéreas é o processo mais eficaz para localizar uma bateria em posição. Somente um sistema de disfarce bem compreendido pode prejudicá-lo.
138. No que concerne às baterias, as regras essenciais de disfarce são as seguintes:
– Cortar a regularidade do traçado da posição, tanto em largura como em profundidade; se a posição comporta trabalhos, evitar que os alvéolos tenham o mesmo aspecto, porque na maioria das vezes a semelhança atrai a atenção;
– Utilizar os recursos do terreno para disseminar as peças, os abrigos e as munições (bosques permeaveis ou pomares, taludos e caminhos abertos) ;
– Executar os trabalhos sob disfarce;
– Evitar as sombras muito nítidas e dissimular as organizações que deixem manchas sobre o solo (entradas de abrigos, depósitos de materiais sobras dos desaterros, etc.);
– Dissimular o traço do sopro das peças, colocando na frente dos canhões folhagens ou pedaços de terra com ervas, frequentemente regadas;
– Estabelecer uma disciplina rigorosa de pistas, reduzi-las ao mínimo, dissimulá-las, para isso utilizar as cobertas naturais, prolongá-las para alem da posição até onde exista um caminho ou posição simulada, evitando seu alargamento nas proximidades do ponto utilizado.
Todas as disposições acima mencionadas só são válidas quando empregadas em conjunto.
139. Os corpos de tropa de artilharia devem ser peritos na arte do disfarce, porque nada é mais perigoso do que um disfarce mal executado.
Em cada E.M. de artilharia. um oficial deve ser encarregado da direção e da verificação do disfarce das baterias; eficácia das disposições tomadas deve ser continuamente verificada pela observação aérea.
140. A observação aérea dá igualmente bons resultados na localização das baterias, principalmente daquelas que estão em ação. Todavia, em virtude do carater intermitente de sua ação, constituo um processo de busca menos completo do que o estudo das fotografias aéreas.
Todas as medidas tomadas para escapar à observação fotográfica são eficazes no caso da observação direta.
Alem disso, quando se aproxima um avião e quando a situação o permite, toda a bateria em ação deve suspender o seu tiro; o pessoal deve permanecer imovel no lugar em que se encontra. Do mesmo modo, em uma bateria que se encontra trabalhando, a pessoal se abriga ou pelo menos permanece imovel.
ARTIGO III
Proteção contra a observação acústica
141. A localização peIo som é tanto mais facil quanto menos numerosa e menos ativa for a artilharia, e mais disseminada estiver.
142. O disfarce contra o som é muito dificil.
Ele poderá ser obtido, porem, com maior ou menor aproveitamento, conforme as baterias possam atirar satisfazendo às seguintes condições:
1º, condições atmosféricas especiais:
– vento violento; a localização é pouco precisa com um vento de 4 a 7 ms.; é impossivel com vento mais forte;
– tempo claro e quente; a localização é então dificil por causa da "refração sonora";
– nevoeiro; o estampido dos tiros é amortecido.
2º, grande atividade de artilharia:
– a multiplicidade dos disparos torna seus registos confusos. Porem, se o trabalho da S. L. S. fica por isso complicado, de modo algum se torna impossivel.
3º, escolha da posição da bateria :
– as baterias que se encontram nas ravinas paralelas à frente, são muito dificeis de serem localizadas. A vizinhança de muros ou casas produz tambem ecos que perturbam o registo da S. L. S.
4º, emprego de fracas cargas: que dão um som mais surdo e portanto mais lento.
ARTIGO IV
Disfarce das organizações
143. As organizações diversas, observatórios, P. C., centrais. linhas telefônicas, escalões, depósitos de munições, etc., facilitam a referência de uma bateria.
Em consequência é indispensavel aplicar a essas organizações regras gerais de disfarce.
CAPÍTULO II
ARTIFÍCIOS PARA ENGANAR OS S. I. A. INIMlGOS
ARTIGO I
Falsas baterias
144. As falsas baterias permitirão enganar o inimigo desde que suas posições sejam bem escolhidas e que se procure dar-lhes uma certa aparência de vida; pequenos destacamentos, trabalhos, fogos, tiros durante a noite com uma peça nômade, etc.
Alem disso, é vantajoso fazer nessas posições explodir bombas simulando os clarões de partida, no momento da execução de um tiro real por uma bateria vizinha.
Este processo é principalmente utilizavel em uma situação estabilizada e calma. Entretanto dá tambem bons resultados em período ativo, por isso que a observação estará então forçosamente mais dispersa e dispõe de menos tempo para determinar o valor das observações feitas.
ARTIGO II
Mobilidade
145. O processo mais eficaz consiste em utilizar plenamente a mobilidade do material para multiplicar as posições. Este processo é mais vantajoso nas situações estabilizadas, porque permite conservar silenciosa a posição de combate.
TÍTULO IV
Instrução
146. Sendo de grande importância na guerra o papel do S. I. A. é preciso que seja convenientemente preparado desde o tempo de paz. Os oficiais, inferiores e praças a eIe destinados serão selecionados e instruidos com grande solicitude.
São condições essenciais a um oficial do S. I. A. :
– conhecer minudentemente o funcionamento dos diversos orgãos de busca;
– ter bom senso, atividade e grande experiência de sua arma;
– possuir uma sólida instrução científica e conhecer algumas Iínguas estrangeiras.
O oficial do S. I. A. da D. I. e do Ex. alem destas condições deve ainda estar familiarizado com os regulamentos em vigor no país inimigo, particularmente os de tiro de artilharia.
CAPÍTULO I
INSTRUÇÃO DOS QUADROS
147. A instrução do pessoal destinado ao S. I. A. será ministrada nos corpos de tropa e nos cursos especiais.
ARTIGO I
Instrução nos corpos de tropa
148. Os oficiais de observação dos grupos e o pessoal observador, são instruidos em seus respectivos corpos de tropa.
Tal instrução versará, principalmente, sobre o estudo e funcionamento da observação terrestre e compreende:
– o emprego dos seus instrumentos;
– o reconhecimento e ocupação de um observatório;
– a determinação aproximada de suas características logo depois sem perda de tempo, sua determinação precisa;
– a transmissão das informações pelos observadores;
– a construção rápida das pranchetas de cruzamento;
– a determinação dos objetivos;
– o estabelecimento dos esboços perspectivos e panorâmicos.
Devem frequentemente realizar-se exercícios práticos destinados ao estudo do estabelecimento e funcionamento dos orgãos de observação. Estes exercícios tambem podem ser executados em períodos de manobras.
ARTIGO II
Cursos e estágios do pessoal do S. I. A. dos agrupamentos, das D. I. e dos Exércitos
149. A instrução dos oficiais que se destinam ao S. I. A. do Agrupamento, da D. I. e do Ex., exige um desenvolvimento que excede os recursos normais de um corpo de tropa. Desse modo esses oficiais devem:
A) Fazer cursos especiais;
B) Efetuar estágios.
150. Os cursos especiais podem ser organizados em um campo de tiro, onde todas as fontes de informações devem ser representados. Aí se estuda, minuciosamente, o funcionamento de cada orgão de busca, bem como o papel do S. I. A. nas diferentes fases da batalha.
151. Os oficiais dos S. I. A. de D. I. e de Exército serão tambem chamados para efetuar estágios;
A) Na 2ª Secção do E. M. E.;
B) Nos corpos de tropa da aviação;
C) No Serviço Geográfico do Exército.
Alem disto devem ser convocados, uma vez por ano, para fazer exercícios especiais, seja no E. M. E., seja no E. M. das Regiões Militares.
ANEXO I
Pessoal e material dos diversos S. I. A.
152. A organização em pessoal a dar aos diversos S. I. A. será a seguinte:
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 687 Tabela.
OBSERVAÇÕES
(1) 1 Cmt e 1 subalterno.
(2) Sgt. arquivista.
(3) Equipe de observação com 2 Sgts., 2 Cabos e 2 Soldados.
(4) Oficial observador.
(5) Sgt. Adjunto do Chefe do S. I. A.
(6) 2 Sgts., 2 Cabos e 2 Praças.
(7) 1 Sgt., 2 Cabos (Chefes de postos) e 4 Soldados observadores.
(8) Calculistas.
(9) Oficial observador.
(10) 1 Sgt., 2 Cabos e 2 Soldados.
153. O material dos S. I. A. de agrupamento e da A, D. é tirado, mediante ordens do Cmt. da Artilharia interessada, do material ótico, material de observação e de topografia previsto para os E. M. dos Regimentos e da A. D.
Os quadros abaixo indicam as dotações em material necessárias às baterias, grupos, regimentos, A. D., assim como ao S. I. A. do Exército.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Págs. 688 e 689 Tabelas.
____________
(1) Exclusivamente para os grupos de 155 e105
<CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 690 Tabela.
ANEXO II
Organização da observação terrestre na Divisão
154. A organização da observação terrestre na divisão tem uma importância capital. Essa importância é tanto maior quanto mais precária for a cartografia e menos satisfatório o equipamento topográfico do teatro de operações.
155. Para permitir, de um lado, ao S. I. A., utilizando as visadas dos diferentes observatórios, determinar objetivos e difundir as respectivas posições de maneira suficientemente precisa e, de outro lado, para permitir às unidades de artilharia explorar as informações pelo tiro, é indispensavel:
– que a organização topográfica da observação da D. I. (ou do grupamento pelos menos no início) seja homogênea;
– que em cada unidade de tiro, a organização topográfica da observação e a do tiro tenham sido ligadas uma à outra;
– que em todo o setor da D. I. se utilize para a observação e para o tiro, uma mesma quadrícula das cartas (ou no caso em que estas não existam, um mesmo sistema arbitrário de coordenadas).
156. Embora a organização da observação, concebida sobre essas bases, possa se apresentar sob aspectos variaveis conforme os recursos disponiveis, deve, em qualquer caso, estar em condições de ser progressivamente completada e melhorada, de modo a tender para uma organização tão perfeita quanto o permita o tempo de ocupação.
ARTIGO I
Caso em que existem planos diretores precisos e quadriculados
157. Neste caso, as operações são relativamente simples; executam-se automaticamente no mesmo sistema de coordenadas. É todavia necessário tornar homogênea, em cada unidade, a organização da observação, porque esta resulta de determinações que não foram obtidas por uma mesma operação topográfica.
Para isto:
– ajustam-se as direções origens dos observatórios;
– melhoram-se as coordenadas dos observatórios, os quais se ligam, se possivel (pelo menos no grupo), uns aos outros por uma mesma operação topográfica.
158. Nas ordens relativas ao desdobramento, o Comandante do grupamento precisa aos grupos as regiões em que os observatórios devam ser procurados e, se possivel, os pontos a incluir no giro de horizonte de cada um deles.
159. Em chegando ao terreno, o oficial observador do grupo determina sumariamente as coordenadas do observatório (caso não lhe tenham sido dadas); executa, com seu aparelho de visada, um giro de horizonte no qual inclue todos os pontos característicos e, em qualquer caso, os que foram precisados pelo Comandante do agrupamento. O Comandante do grupo envia a este último as coordenadas aproximadas e o resultado do giro de horizonte de seu observatório (e dos observatórios das baterias, se necessário).
Ajusta as direções origens dos observatórios das baterias e do grupo.
160. O oficial chefe do S. I. A. do agrupamento determina nas mesmas condições o ou os observatórios do agrupamento; transporta para o plano diretor as coordenadas aproximadas do observatório do agrupamento e dos observatórios do grupo assim como os pontos característicos que cada um deles visou.
161. Os comandantes de agrupamento e os comandantes de grupo fazem melhorar, logo que possivel, as características de seus observatórios e ajustar, definitivamente, as direções origens.
As novas características precisas (direções origens e coordenadas) são comunicadas ao chefe do S. I. A. do agrupamento, que as consigna sobre o plano diretor.
162. O comandante do agrupamento envia ao S. I. A. de D. I. as coordenadas dos observatórios do grupamento e dos grupos.
163. O Chefe do S. I. A. de D. I. pode, se para isso dispõe de meios, ajustar as direções origens dos observatórios dos agrupamentos.
ARTIGO II
Caso em que existem cartas de grande escala (1) não quadriculadas
164. Pode operar-se como no caso precedente, porem, é necessário que o Comandante do agrupamento (ou da A. D.) fixe, de inicio, o sistema de quadrícula a utilizar (quadrícula normal das cartas ou quadrícula arbitrária).
165. Pode-se tambem operar como está indicado mais adiante.
____________
(1) Superior a 1/50.000.
ARTIGO III
Caso em que não existe carta ou quando se dispõem de cartas de pequena escala {2) e pouco precisas
166. Nesse caso, mais do que em qualquer outro, é indispensavel descentralizar a organização da observação. Em seguida, as determinações isoladas são progressivamente ligadas umas às outras de maneira a tender para uma organização homogênea, preliminarmente em cada agrupamento e depois em toda a D. I., se possivel.
167. O Comandante do grupo que entre outras coisas, precisou aos comandantes de baterias as zonas de observação, faz com que o oficial observador (e o oficial orientador, se necessário) determine sobre a prancheta (na escala de 1/20.000, por ex.) as posições respectivas do grupo e dos obsevatórios de bateria (ou de pontos vizinhos destes últimos, se as posições exatas dos observatórios de bateria não são visiveis do observatório do grupo).
Se, afim de ganhar tempo, se executa inicialmente uma radiação ou caminhamentos distintos, é bom, desde que possivel, reunir os diversos observatórios em um mesmo caminhamento fechado.
168. Determina o Comandante da bateria a posição respectiva do observatório e da bateria. Se o observatório da bateria não é visto do observatório do grupo, liga primeiro o observatório da bateria ao ponto vizinho determinado pelo grupo, operando por caminhamento em grande escala e caminhamento de ângulos.
169. Prescreve o Comandante do grupo o ajuste das direções origens dos observatórios do grupo e das baterias (indispensavel, se a determinação dos observatórios de bateria for o resultado de um caminhamento de lados relativamente curtos).
170. O oficial observador do grupo transporta para a prancheta (na escala de 1/20.000 por ex.) os observatórios e as visadas de cada um deles sobre os pontos fixados pelo Comandante do grupo e que foram incluidos no giro de horizonte.
Neste momento, no interior do grupo, a determinação de um objetivo e a abertura do fogo sobre ele são possiveis.
171. O Chefe do S. I. A. do agrupamento determina por sua vez, com a maior precisão possivel, a posição respectiva do observatório do agrupamento e dos observatórios de grupo.
172. Utiliza os observatórios de agrupamento e de grupos para determinar, por interseção, a posição dos pontos característicos do terreno que serviram ao giro de horizonte. Se nenhuma quadrícula for dada pela D. I., fixa uma a utilizar no agrupamento e dá aos grupos as coordenadas dos observatórios e dos pontos característicos.
173. Preserve o ajuste das direções origens dos observatórios (Ver Anexo IV), estabelecendo em seguida, ou fazendo estabelecer, uma “prancheta de objetivo” (Ver n. 207, Anexo V).
174, O Chefe do S. I. A. da Divisão, utilizando, caso lhe tenham sido atribuidas as S. L. O. T. e as S. L. S., e, apelando para a secção topográfica da D. I.:
– faz estabelecer uma base precisa:
– determina, por interseção, as posições dos observatórios de agrupamento (ou de pontos próximos, aos quais os grupos ligarão
________________
(2) 1/50.000 e inferior.
seus observatórios por uma radiação ou um caminhamento e, se possivel, pontos notaveis na zona da D. I.
O S. I. A. da D. I. acha-se assim em condições de determinar os objetivos referidos pelos observatórios e de difundir a informação, de modo a permitir sua exploração pelo tiro.
ANEXO III
Exemplo de organização e funcionamento da observação terrestre no interior do grupamento
ARTIGO I
Caso em que não se possuem cartas ou quando as existentes são de pequena escala
175. Um agrupamento de artilharia de três grupos de 105 L, recebeu ordem de ocupar posições ao N. e S. da VILA MILITAR, estendendo-se sua zona de ação entre a linha: MORRO DOS AFONSOS (inclusive) – MADUREIRA (inclusive) – INHAUMA e a linha: ANCHIETA – VIGÁRIO GERAL (3).
O Comandante do agrupamento, em suas ordens relativas à observação terrestre prescreveu, em particular, que cada grupo reconhecesse e ocupasse um observatório:
– o I grupo na região do MORRO DOS AFONSOS;
– o II grupo na região do MORRO DO JAQUES;
– o IlI grupo na região de cota 72 (550 m, N. 0. do MORRO DO CAPIM).
Os observatórios devem cooperar nas regulações e controles de tiro das unidades do agrupamento e vigiar o terreno inimigo, particularmente na zona afeta ao agrupamento respectivo.
A) Indicações dadas pelo oficial do S. I. A. do agrupamento
(Vide fig. 1)
176. O oficial observador e de informações do agrupamento (oficial do S. I. A.), completando as ordens do Comandante do seu agrupamento, dará as seguintes indicações:
– Os grupos determinarão as posições respectivas dos observatórios próprios e dos de suas baterias. Tomando como origem das leituras o sinal de MONTE ALEGRE, farão um giro de horizonte englobando os seguintes pontos:
– MONTE ALEGRE;
– MORRO DE COTA 83 (2,8 kms. N,, N. E. do MORRO DA CRUZ);
– MORRO DA CRUZ;
– MORRO DO SAPÉ;
– COTA 128 (N. E. da EST. MADUREIRA);
– COTA 254 (1,5 kms. S. da EST. MADUREIRA).
_______________
(3) Carta do Distrito Federal, escala 1/50.000.
– A observação será organizada nos grupos de modo a tornar possivel a exploração rápida das informações colhidas.
B) Operações a serem efetuadas pelos oficiais observadores do grupo
177. De posse das ordens e indicações supra, os oficiais observadores dos grupos fazem seus reconhecimentos:
I Grupo – Observatório no MORRO DOS AFONSOS
178. O oficial observador reconhece:
– um observatório sobre o MORRO DE COTA 108 (500 ms. S. O. do MORRO DOS AFONSOS), tendo vistas extensas sobre a zona de ação de agrupamento;
– do observatório de agrupamento, os pontos característicos do terreno que lhe foram indicados pelo oficial chefe do S. I. A.
Determina a um sargento que desenhe o esboço perspectivo da zona de ação do grupo (se possivel do agrupamento).
179. Determinará o comandante do grupo aos comandantes de baterias as regiões onde seus observatórios devam ser procurados e o oficial observador do grupo indicará, aos mesmos o observatório do grupo e lhes designa os pontos do terreno que há interesse em incluir no giro de horizonte do observatório de cada bateria.
180. O oficial observador do grupo faz então o giro de horizonte com a luneta monocular de suporte goniométrico, tomando como origem das leituras o sinal de MONTE ALEGRE.
181. Determina a respectiva posição do observatório do grupo e dos das baterias (por caminhamento ou radiação, na escala de 1/2.000, por exemplo) (4).
182. A seguir transmite ao Comandante do grupo o resultado do giro de horizonte e um esboço cotado indicando a posição relativa dos observatórios, que serão apresentados da seguinte forma:
I Grupo – observatório na COTA 108 (500 ms. S. O. do MORRO DOS AFONSOS)
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 694 Tabela.
OBSERVAÇÕES – As leitura foram feitas pela luneta monocultor e reiteradas. Como origem destas foi tomado o sinal de MONTE ALEGRE.
______________
(4) Afim de ganhar tempo, o oficial orientador pode ser empregado neste trabalho.
183. Prepara o observador do grupo uma prancheta na escalas de 1/10.000 ou 1/20.000 para a qual transporta a posição dos observatórios e as visadas do giro de horizonte (5).
184. Desde que os observatórios das baterias estejam determinados, faz executar um giro de horizonte com a monocular ou o goniômetro sobre os pontos característicos que lhe interessam e deduz, por intersecção, uma primeira posição aproximada daqueles pontos característicos. Indica tais posições aos comandantes de baterias.
185. Os oficiais dos outros grupos procedem ao mesmo tempo a operações análogas no que concerne a seus respectivo observatórios, enviando ao Comandante do agrupamento o resultado do giro de horizonte e o esboço cotado.
II Grupo – Observatório no MORRO DO JAQUES
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 695 Tabela.
186. III Grupo – Observatório na COTA 72 (330 ms. N. O. do MORRO DO CAPIM)
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 695 Tabela.
(5) Como todas essas operações são feitas sobre uma prancheta quadriculada, pode-se empregá-la para facilitar a designação dos objetivos. O oficial observador pode, com efeito, considerar a direção de Monte Alegre, tomada como origem, como direção arbitrária dos Y positivos. Da então, aos comandantes de baterias, as coordenadas dos observatórios e as dos pontos característicos.
C) Operações efetuadas pelo oficial chefe do S. I. A. do agrupamento
187. O oficial do S. I. A. mede com precisão uma base de 100 a 200 metros de um e outro lado do ponto escolhido para observatório do agrupamento.
Escolhe para eixo dos Y positivos a direção MORRO DOS AFONSOS (cota 108) – MONTE ALEGRE e este último como origem das coordenadas; para ter, porem, a zona de ação do agrupamento no 1º quadrante, faz uma inversão de origem e toma para coordenadas do observatório do agrupamento:
X = 20.000
Y = 10.000
Determina pelo método de intersecção (6) as posições dos diversos observatórios dos grupos (ou pontos que deles sejam próximos). Para isto pedirá aos grupos que lhe enviem agentes de ligação, afim de dar indicações do ponto exato a determinar.
Fornece após, aos grupos, as coordenadas de seus observatórios e as dos agrupamentos:
OBSERVATÓRIOS | X | Y |
Agrupamento................................................................................. I Grupo........................................................................................... II Grupo.......................................................................................... III Grupo......................................................................................... |
20.000 20.000 20.000 21.725 |
10.000 6.825 9.775 10.195 |
188. Com o giro de horizonte dos grupos, que deve ser melhorado pelos interessados, e que agora será dado pelo azímute referido à direção dos Y arbitrários, ele pode determinar por intersecção (7) as coordenadas dos pontos característicos do terreno.
Dará então, aos grupos as seguintes coordenadas:
OBSERVATÓRIOS | X | Y |
COTA 83........................................................................................ MORRO DA CRUZ........................................................................ MORRO DO CRUZ........................................................................ COTA 128...................................................................................... COTA 254...................................................................................... | 27.520 25.220 26.825 26.350 24.585 | 9.480 7.990 5.275 3.575 2.330 |
(6) A menos que o tempo disponivel não o permita, caso em que a precisão será fortemente diminuida em vista do erro gráfico a prever.
(7) Esta operação deve ser feita mesmo para um ponto pelo menos (antes de cobrir a prancheta com tinta), afim de obter a certeza de não ter havido erro de conjunto. Neste caso obtem na prancheta um chapéu de dimensões aceitaveis que lhe dá a posição aproximada do ponto X1 Y1. Se as coordenadas dos observatórios foram calculadas com precisão, e desde que as direções origens tenham sido ajustadas de uma maneira precisa, o oficial do S. I. A., a partir das coordenadas aproximadas X1 Y1, e dos lançamentos definitivos deste ponto em relação aos três observatórios, executa uma intersecção calculada. O cálculo lhe dá um chapéu do qual ele deduz a ordem de grandeza da precisão de sua base de observação.
189. Determina aos grupos, se julga as operações suficientemente precisas, ajustarem suas direções origens.
190. O oficial do S.I.A. pode agora construir a prancheta do objetivo.
Nota – Em certos casos, o processo abaixo (fig. 1) é rápido e suficientemente preciso.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 697 Figura.
O oficial do S.I.A. constroe previamente escalas de tangentes (graduadas de grau em grau de 0 a 50) correspondentes as distâncias expressas por um número de centímetros: 10-20-30-40-50. .110.
Estas escalas são construídas em uma tira de papel cartonado com alguns milímetros de largura, As graduações são traçadas em todo o comprimento do papel e numeradas: 0-50; – 1-51; – 2-52 ... 40-99; – 50-100 (Fig. 2).
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 697 Figura.
Pode-se assim utilizar uma mesma escala nas posições AB e CD (Fig. 3).
Cada tira traz o número de centímetros para o qual foi construída.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 698 Figura.
No presente caso o S.I.A. do agrupamento estabeleceu sua prancheta na escala 1/10.000 entre as abcissas 24 e 33 e as ordenadas 2, e 11.
Traçam-se na prancheta três enquadramentos tais como P1 P2 P3 (fig. 1); a cada observatório afeta-se um enquadramento (P1 no interior, P2 no meio e P3 no exterior) e graduam-se os lados de cada enquadramento em azimutes.
O quadro interior correspondente a P1 é graduado da seguinte maneira:
– traçam-se duas escalas de tangentes, por exemplo, as correspondentes a 50 cm. e 100 cm.
A de 50 cm., traçada paralelamente a OY, deve ficar a 50 cm. à direita de P1, seja na escala de 1/10.000 a 5 kms., de P1; sua origem O deve ter a mesma origem que P1; consequentemente as coordenadas desta origem são:
X = 20.000 + 5.000 = 25.000.
Y = 6.825
A escala de 100 cm. é também colocada a 50 cm. à direita da 1ª e liga por uma linha duas graduações quaisquer do mesmo valor sobre as duas escalas; no ponto onde esta linha corta os dois lados do quadro, inscreve-se a divisão correspondente.
Cada quadro apresenta então duas séries de graduações. A reta une duas divisões iguais (Ex.: 95) de um mesmo quadro (Ex.: P1), representa a visada do observatório correspondente (P1), tendo por lançamento a divisão da reta (95).
ARTIGO II
Caso em que existem planos diretores
191. Existindo planos diretores, as operações podem ser então conduzidas como se segue:
192. Os oficiais observadores do grupo :
– determinam as coordenadas aproximadas de seus observatórios;
– fazem o giro de horizonte;
– transmitam estas informações ao grupamento;
– reiteram o giro de horizonte;
– servindo-se elas leituras médias, fazem os levantamentos calculados sobre os pontos dos quais possuem as coordenadas exatas.
Obteem assim:
– as coordenadas exatas do observatório;
– o azímute origem Ao, de seu giro de horizonte.
Estas informações são enviadas ao P.C. do agrupamento.
193. O Chefe do S.A. do Agrupamento:
– transporta para o plano diretor as informações enviadas pelos grupos;
– constrói as pranchetas dos objetivos.
– procede a ajustagem de orientação dos observatórios. (As características dos observatórios são comunicadas em consequência).
Nota – Terminadas as operações supra, os oficiais fornecem os seus esboços perspectivos e a carta das partes vistas e ocultas.
ANEXO IV
Ajustagem das direções origens dos diversos observatórios
194. Se as características dos observatórios podem ser determinadas rápida e corretamente por um levantamento calculado, sobre pontos geodésicos conhecidos, o levantamento pode ser considerado preciso e as orientações devem ser boas.
195. Nem sempre, porem, será possível operar em condições tão vantajosas. Do observatório ordinariamente só se poderá visar um número muito restrito de pontos geodésicos, situados na zona adversa e com azímutes pouco diferentes. O levantamento calculado que resultar daí terá uma precisão insuficiente; os segmentos capazes se interceptarão segundo ângulos muito agudos.
Neste caso faz-se um levantamento atrás da crista e executa-se, a partir deste ponto até a posição do observatório, um caminhamento de lados muito curtos.
A posição do observatório será assim determinada com precisão, porem o mesmo não acontecerá com a direção; alem disto os erros cometidos não serão absolutamente os mesmos, em grandeza e sinal, de um observatório a outro. Será então necessário ajustar as direções origens destes observatórios (8).
196. Poderá existir discordância entre as tramas geodésicas próprias ou inimigas.
Se os observatórios devem servir para localização dos objetivos é preferível que tais objetivos sejam determinados no mesmo sistema em que o foram as baterias amigas encarregadas de combatê-los; as direções origens dos observatórios devem ser ajustadas na zona amiga.
_______
(8) Isto é, prender essas direções origens a uma mesma operação topográfica, afim de que as visadas interiores, executadas dos observatórios interessados, possam ser comparáveis em precisão.
Ao contrário será preferível ajustá-las na zona inimiga se os observatórios devam servir a regulação dos tiros por observação conjugada de precisão.
197. A ajustagem das direções origens pode ser feita de diferentes formas:
A) Se as coordenadas dos observatórios foram determinadas com muita precisão e se existe um ponto bem afastado visível por todos, calcula-se o azímute observatório – ponto afastado. Apontando os instrumentos com o azímute assim obtido, realizar-se-á uma ajustagem suficiente.
Exemplo: Observatórios determinados com a aproximação de 4 ou 5 metros estando o ponto afastado a 20 kms.
B) Se os observatórios são visiveis entre si, pode-se fazer a pontaria recíproca.
C) Pode-se ainda ajustar as direções origens por visadas simultâneas sobre um astro base.
Por tal processo é possível obter-se o azímute exato de um ponto bem nítido no terreno.
O giro de horizonte do observatório ficará assim orientado; este processo pode permitir retificar as coordenadas anteriormente encontradas.
ANEXO V
Determinação dos objetivos
ARTIGO I
Determinação antes de qualquer operação topográfica
198. No inferior do grupo, os objetivos são determinados e designados utilizando uma referência, com o auxílio de esboços perspectivos cotados, etc. Para isto o comandante do grupo providencia afim de que cada observatório tenha, logo que possível, um exemplar dos esboços perspectivos cotados da zona de ação do grupo, vista dos observatórios vizinhos.
ARTIGO II
Determinação no caso em que não se dispõem de cartas, porem, foi possível organizar topograficamente a observação
199. A organização da observação no interior do agrupamento (da D.I.) é materializada sobre uma prancheta para a qual são transportados os diversos observatórios e suas visadas sobre os pontos que tenham servido para o giro de horizonte (pontos que, aliás, puderam ser determinados por intersecção. (Ver Anexo II).
200. Se um objetivo O aparece e pode ser percebido pelos observadores P1, P2, P3, dos grupos, estes visam-no, anotam as divisões lidas e as enviam aos postos de comando de seus grupos.
201. O oficial chefe do S.I.A. utiliza essas observações para determinar o objetivo.
Pode operar como se segue:
Procura, a princípio, determinar a posição aproximada do objetivo. Para isto compara a leitura indicada pelo observatório P com as leituras do giro de horizonte deste observatório e toma a leitura mais aproximada, correspondente, por exemplo ao ponto característico M; deduz daí o afastamento angular O Pn M e partindo do Pn M, traça, com o auxílio do transferidor, a reta Pn O. Opera do mesmo modo para com os outros observatórios que tenham visado O. Desta forma obtém geralmente um chapéu que lhe permite determinar aproximadamente a posição do objetivo.
Caso o chapéu seja pequeno, escolhe o centro como posição do objetivo; em caso contrário, refaz suas construções com mais precisão e, se necessário, retifica as características das observações.
202. Se apesar da ausência de carta, os pontos característicos do terreno foram determinados de uma maneira precisa por intersecção e si se adotou uma quadrícula, opera-se como se acha indicado no art. III ou IV (a seguir) segundo as características dos observatórios forem imperfeita ou perfeitamente determinadas.
ARTIGO III
Caso em que se dispõem de cartas em grande escala ou de planos diretores quadriculados
As características dos observatórios são imperfeitamente determinadas
203. As coordenadas do objetivo O são determinadas por diferença com as coordenadas de um ponto característico vizinho A.
Os erros serão tanto mais fracos quanto mais próximo estiver o ponto O do ponto A (9).
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 701 Figura.
__________
(9) Seja P1 (Fig. 4) um observatório ; A um ponto característico de coordenadas conhecidas; O um objetivo; º afastamento angular medido de P1, entre A e O.
Se, na determinação das coordenadas de PA, foi cometido um erro e se o observatório foi transportado para a prancheta com suas coordenadas erradas, tal como P’1, a visada de P1, sobre O se acha deslocada. O deslocamento da linha de visada é tanto mais fraco, qualquer que seja o erro de posição de P1, quanto mais próximo estiver o ponto O do ponto A.
Se o objetivo O aparece, o oficial do S.I.A. opera inicialmente como está indicado no art. II (acima); obtém assim um chapéu que lhe permite determinar aproximadamente a posição do objetivo O. Escolhe então o ponto característico A mais próximo de O compreendido no giro de horizonte de todos os observatórios que tenham visado o objetivo e faz partindo deste ponto, a construção precisa das retas P1, O e P2, O. O emprego da grade de observação, do cartão de construção e do cartão transporte facilita este trabalho.
B) As características dos observatórios são determinadas com precisão
204. A precisão obtida neste caso é naturalmente muito maior do que no caso precedente.
Da leitura correspondente a visada feita por um observador, corrigida dos erros relativos à esta leitura (10), o chefe do S.I.A. no agrupamento deduz o azímute do objetivo. Transporta em seguida a linha de visada para a prancheta. Opera assim para dois e, de preferência, para três observatórios. Neste último caso, si as visadas forem bem feitas sobre o mesmo objetivo, as direções obtidas cortam-se, formando um pequeno chapéu cujas dimensões dão uma idéia da precisão obtida.
Com efeito: Sejam D e d as distâncias do observatório ao objetivo e ao ponto A.
O deslocamento O K é igual à soma. OL + LK.
OL = P’1 R = P1 P’1 sen (--)
LK = D sen
Ora:
Sen = M P’1 = P1 P’1 sen.
d d
Donde: OK = P1 P’1 [ sen (--) + D sen ]
d
expressão que tende para zero quando tende para zero e D para d, isto é, quando o ponto O se aproxima de A.
___________
(10) Para determinar esses erros, pode se empregar o processo seguinte:
Orientar o aparelho de observação sobre um ponto cujo azímude foi, preliminarmente, perfeitamente determinado (por operações astronômicas ou qualquer outro processo); executar com este aparelho, um giro de horizonte reiterado, englobando pontos de referência suficientemente afastados e constituídos, cada um, por um detalhe bem nítido do terreno (escolher esses pontos em todos os 50 ou 100 decigrados). Comparar as divisões lidas no giro de horizonte normal e a média das reiterações; deduzir daí, por diferença, os erros correspondentes à leitura sobre cada um dos pontos de referência. Estabelecer um quadro desses erros e operar por interpolação quando se visa um objetivo.
Construção da prancheta de objetivos
205. A escala a adotar é a escala máxima que permite obter, sobre a prancheta de que se dispõe, toda a extensão do terreno onde se podem revelar objetivos.
O modo de operar que se segue dá bons resultados (Fig. 5).
Sobre as bordas da prancheta são traçadas graduações correspondentes a cada observatório.
Sejam:
X = 96572
Y = 99749
as coordenadas de um observatório.
A zona de terreno a vigiar está compreendida entre as duas ordenadas 97 e 102 e as duas abscissas 98 e 103.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 703 Figura.
A reta 103 é graduada em azímutes.
Para isto, tomar sobre esta reta um ponto M de ordenada igual a de P (fig. 5); a partir deste ponto e de um lado e de outro marcar comprimentos iguais a M N tais que:
MN = P1 M tg. n
Dar a n os valores de 10, 20, 30, 40... decigrados e anotar os pontos obtidos 1010, 1020, 1030, 1040... à direita; 990, 980, 970... à esquerda. A reta de abicissa 98 e as de ordenadas 97 e 102 são graduadas de maneira análoga.
A reta correspondente ao azímute n obtem-se ligando as divisões n duas graduações.
ARTIGO IV
Exemplo de em caso concreto do funcionamento da observação terrestre de informação no interior do agrupamento
(Continuação no exemplo que constitue o assunto do Anexo III, Fig. 1)
206. Cerca de 10h,30 o S. I. A. cio agrupamento recebe as informações seguintes:
de P1: às 10h,20, fumaça de bateria, divisão 1060 decigrados;
de P2: às 10h,19, fumava de bateria, divisão 1313, decigrados;
de P3. às 10h,22, fumaça de bateria, divisão 1400 decigrados;
207. No momento da recepção destas informações o oficial do S.I.A. do agrupamento supõe que as três observações se referem a um mesmo objetivo; procura logo verificar.
Constata então que a fumaça foi vista de P1, a 1141 – 1060, sejam 81 decígrados à esquerda do sinal do MORRO DO SAPE". Traça sobre o plano diretor, com o auxílio do transferidor, a reta que faz com a direção P1. – SAPÉ um ângulo de 8l decígrados para, a esquerda.
Traça do mesmo modo a reta partida de P2 fazendo a direção P2 – SAPE", um ângulo do 1396 – 1313, ou sejam 83 decigrados para a esquerda e a reta partindo de P. fazendo com a direção P3 – MORRO DA CRUZ um angulo de 1358 – 1400 ou Sejam 42 decígrados para a direita.
As três retas cortam-se sensivelmente no mesmo ponto, na região próxima do MORRO DO SAPE’.
O oficial do S. I. A. conclue daí que as três observações se referem ao mesmo objetivo e que este se encontra na região do MORRO DO SAPE’.
O ponto mais próximo do objetivo compreendido no giro de horizonte dos três observatórios é o MORRO DO SAPE’. E pois em relação a este ponto que se vai proceder à construção.
Os afastamentos angulares do objetivo em relação ao MORRO DO SAPE’, são :
Para P1 = 1141 – 1060: 81 decígrados
Para P2 = 1396 – 1313: 83 decígrados
Para P3 = 1400 – 1485: 85 decígrados
208. Para determinar o objetivo pode-se utilizar os transferidores de paralaxe ou empregar o processo seguinte:
Aplicar um papel calco sobre o plano diretor (ou prancheta) .
Traçar as linhas :
MORRO DO SAPE' – P1
MORRO DO SAPE' – P2
MORRO DO SAPE’ – P3
Sobre a linha P1 – MORRO DO SAPE’ tomar, a partir de P1, comprimentos de 40 e 60 centímetros; em cada um destes pontos A1 e A2 trançar, no sentido conveniente, uma perpendicular à linha P1 – MORRO DO SAPE' e marcar sobre essas perpendiculares a partir de A1 e A2 os comprimentos A1 M1 e A2 M2, respectivamente iguais a 40 x tg 81 decígrados e 60 x tg 81 decígrados, isto é:
A1 M1 = 40 X tg 81 dg
A2 M2 = 60 X tg 81 dg
valores que se podem achar imediatamente sobre as escalas de tangentes. Traçar a reta M1 M2.
Operar do mesmo modo para os observatórios P2 e P3 (11). As retas M1 M2, N1 N2 e K1 K2 formam um chapéu no centro do qual se coloca o objetivo. Deduzir. os x e os Y deste ponto em relação ao MORRO DO SAPE’ e, em consequência, suas coordenadas.
ARTIGO V
Exemplo de determinação de objetivos utilizando informações de diferentes fontes
209. Quando a amarração fotográfica (12) puder ser utilizada, dará a posição do objetivo com mais precisão que qualquer outro processo.
A1 N1 = 40 X tg 53 dg }
A2 N2 = 60 X tg 83 dg } Traçar a reta N1 N2
Para o observatório P3:
A1 K1 = 40 X tg 85 dg}
A1 K2 = 60 X tg 85 dg} Trancar a reta K1 K2
Todavia, é preciso estar certo de que os trabalhos reconhecidos sobre uma fotografia correspondem perfeitamente ao objetivo. Deve-se desconfiar de trabalhos que apareçarn nitidamente, os quase podem ser falsas baterias destinadas a dificultar as buscas, mascarando verdadeiras posições bem disfarçadas, situadas a algumas centenas de metros.
210. Antes de recorrer ao estudo da fotografia, o S.I.A. tem, pois, interesse em precisar, tanto quanto possível, a posição do objetivo, segundo as informações provenientes de outras fontes.
211. Para isto pode operar da maneira seguinte:
– determina, inicialmente, um ponto vizinho do objetivo;
– cada informação lhe permite, na maioria das vezes, tragar uma linha, lugar do objetivo (sobre a qual se acha o objetivo);
_____________
(11) Para o observatório P2:
(12) Ver Anexo IV (art. 3º).
– estas diferentes linhas, cortando-se formam um chapéu em relação ao qual localiza-se o objetivo, levando-se em conta a sensibilidade de cada uma delas (isto é, o deslocamento maior ou menor que sofre esta linha na vizinhança do ponto a determinar, para um pequeno erro na posição dos pontos conhecidos, origens das medidas, ou para um pequeno erro nessas mesmas medidas) .
212. Exemplo:
Carta do Distrito Federal, esc.: 1/50.000.
{ Xo = 119.000
Origens adotadas {
{ Yo = 94.000
Um avião assinala uma bateria inimiga em
{104.000
0 {
{102.500
O S.I.A. procura confirmar e precisar essa informação. Em consequência procede o mais cedo possível, ao estudo das fotografias aéreas. Entretanto, sem tardar, aletra as diferentes fontes de que dispõe.
1ª S.L.S. – Somente os dois postos Q1 e Q2 da secção registaram a chegada da onda.
Coordenada acústica normal deduzida da leitura das fitas:
(1 – 2) = 235
Como lembrança, coordenadas dos postos:
Q1{x = 101.052 Q2 {x = 104.634
{y = 96.143 {y = 96.305
2ª S.L.O.T. – Somente o posto P1 da Secção, situado em:
P1 { x = 107.220
{ y = 99.255
viu um clarão na direção de azímute: 3495 dg.
3ª Observatórios de Agrupamento – Um só observatório Pn situado em:
Pn { x = 104.735
{ y = 99.910
viu um clarão na direção de azímute: 3822 dg.
De posse dessas informações o Chefe do S. I. A. executa as construções seguintes :
1º Exploração da informação do S.L.S. :
Calcula a coordenada acústica do ponto aproximado O, indicado pelo avião, em relação à base (1 – 2) e acha :
( 1 – 2) = – 231,3
Se uma fonte sonora estivesse situada em O, ela seria encontrada sobre uma hipérbole semelhante, na vizinhança do ponto O, a sua tangente, bissetriz do ângulo Q₁ OQ₂ e sua coordenada acústica em relação à base (1 – 2) seria – 231,3.
A peça a determinar cuja coordenada acústica normal deduzida da leitura da fita é – 235, acha-se, por conseguinte, sobre uma hipérbole paralela à hipérbole do ponto O e a uma distância desta última igual a d, tal que :
d = V₁₀ d r (1 – 2) (13)
2 sen Q₁ OQ₂
2
fórmula na qual, em particular:
d r (1 – 2) = – 235 – ( – 231,3) = – 3,7
Esta hipérbole é semelhante a uma reta paralela à, bissetriz do ângulo Q1 OQ2 situado à direita desta última, pois, que d r é negativo e a uma distância d que o cálculo dá igual a 25m,55.
2º Exploração da informação do S. L. O. T.
Pelo cálculo o Chefe do S. I. A. determina o azimute da reta P₁ O e a distância P₁ O. Ele encontra:
Azímute P₁ O = 3.502 decigrados
Distância P₁ O = 4.571 metros
A peça procurada, cujo azímute deduzido da leitura dos aparelhos é de 3.495, acha-se então sobre uma linha paralela a P₁ O situada à esquerda desta linha e a uma distância de 50m,27.
3º Exploração da informação do observatório Pn.
O chefe do S. I. A. acha do mesmo modo que o objetivo procurado se encontra sobre uma paralela à reta P. O, situada à esquerda desta linha e a uma distância de 12m,68.
________________
(13) V₁₀ é a velocidade do som na temperatura de 10º.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 708 Figura.
Escala 1/2000
a= 104.000
Ponto aproximado.... y= 102.500
∆x = + 10
∆y = – 83
Coordenadas retificadas { x = 104.010
y = 102.417
Constroi então o gráfico figurado no desenho acima (fig. 6). As três retas, lugares do objetivo, formam um chapéu. Se o Chefe do S. I. A. julga não possuir razão alguma para atribuir um maior valor a uma informação do que a outra, situará o objetivo no centro do chapéu. As dimensões deste lhe dão uma ordem de grandeza da precisão obtida. Remete depois a informação sob a forma seguinte:
Bateria anteriormente referida { 104.000
102.500
Coordenadas retificadas { x=104.010
y = 102.417
Precisão: 10 metros
CÁLCULOS A EXECUTAR
1º Extensão e azimute das retas O Q₁ e O Q₂:
Q₁ { 104 000 { 102.500 log. ∆x=3,46953
101.052 96.143 log. ∆y =3,80325
∆x = 2.948 ∆y=6.367 logtg. g₁= 1,66628
g₁= 24º52’46”
g₁= 27 gr. 644
G₁= 227 gr. 644
log. ∆x= 3,46953
log. cosec. G₁= 0,37601
log. D₁= 3,84554
D₁= 7,007 ms.(14)
Q₂ { 104.634{ 102.500 log. ∆x= 2,80209
104.000 96.305 log. ∆y= 3,79204
∆x=634 ∆y= 6.195 logtg. g₂= 1,01005
g₂= 5º50’37”
g₂= 6 gr. 493
G₂= 193 gr.507
log. ∆x= 2,80209
log. cosec. G₂= 0,99219
log. D₂= 3,79428
D₂= 6,227 ms. (14)
2º Cálculo do x normal do ponto aproximado:
V₁₀ X (1,2) = (6.227 – 7,.007) = – 780
log. V₁₀ + log. 1,2) = log. 780
log. (1,2) = log. 780 – log. V₁₀
log. 780 = 2,89209
log. V₁₀ = 0,52789
log. (1,2) = 2,36420
(1,2) = – 231,3
d (1,2)= – 235 – ( – 231,3) = – 235 + 231,3= – 3,7
( 14 ) 6227 e 7007 são tambem as distâncias percorridas pelo som partido do ponto O aos pontos Q₁ e Q₂, respectivamente. Assim se chamar-mos t₁ e t₂ os tempos gastos pelo som em percorrer as distâncias O Q₁ e Q₂, teremos:
OQ₁ = V₁₀ X t₁ = 6227
OQ₂ = V₁₀ X t₂ = 7007
3º Cálculo do ângulo Q₁ O Q₂ e de d :
Azímute OQ₁ = 227 gr 644 log. V₁₀ = 0,52789
Azímute 0Q₂ = 193 gr 507 log. d (1,2) = 0,56820
Ângulo Q₁ OQ₂ = 34gr 137
Ângulo Q₁ 0Q₂ = 17 gr 067 log. cosec. Q₁ 0Q₂ = 0,57694
2 2
________________________
Ângulo Q₁ 0Q₂ = 15º 21’ 36”,8 log. d = 1,37200
2 d = 23m ,55
___________________________
Extensão e azimute da reta P₁O:
P₁ { 107.220 { 102.500 log. Δx =3,50786
104.000 99.255 log. Δy = 3,51121
Δx = 3.220 Δy = 3.245 log. tg. g₁ = 1,99665
g₁ = 44º 46’ 46” g₁= 49 gr 755
g₁= 498 dgr.
log Δx = 3,507876
log.sen g₁ =1,84780
log.P₁0=3,66006
Azímute lido 3495: diferença 7 decigrados.
Log. D = 3,66006
Log. tg. 7dg.= 2,04124
Log. d = 1,70130
D= 50 m,27
_________________________
Extensão e azimute da reta Pⁿ 0:
Pⁿ { 104.730 102.500 log. Δx = 2,86332
104.000 99.910 log. Δy= 3,41330
Δx =730 Δy= 2.590 log. tg. g₂= 1,45002
g₂= 15º 44’ 26”
g₂= 17 gr. 49
g₂= 175 dgr.
G₂= 3852
Log. Δx = 2,86332
Log. sin. g₂= 1,43343
Log. Pⁿ 0=3,42989
Azímute lido 3822, diferença 3 decigrados:
Log. D = 3,42989
Log. tg. 3 dg = 3,67324
Log. d = 1,10313
d= 12m, 68
ANEXO VI
213. A fotografia aérea permite :
– descobrir objetos que escapariam à observação visual;
– transportar, de maneira precisa, estes objetos para um plano diretor.
ARTIGO I
Princípios gerais concernentes ao estudo das fotografias aéreas
214. O estudo das fotografias aéreas necessita, antes de tudo, uma grande prática. Por outro lado exige tambem:
– método;
– conhecimento dos princípios dos regulamentos do inimigo permite, com efeito, compreender os trabalhos por ele executados e seguir sua evolução; facilita sua busca e explica sua razão de ser.
215. O estudo de uma fotografia aérea compreende:
1º Operações preliminares:
– ver a orientação da fotografia, flexa Norte; orientar a fotografia comparando-a com um plano diretor;
– ter em conta a direção da luz e a direção das sombras projetadas.
2º Um estudo de conjunto a olho desarmado, tendo por fim apreciar:
– as grandes linhas do relevo;
– a direção do inimigo;
– os detalhes mais visiveis da região fotografada;
– o esquema geral das organizações e circulações.
3º Um estudo minucioso com o auxílio da lente, para procurar descobrir os detalhes que não aparecem a priori.
– explora-se metódica e minuciosamente a fotografia;
– marca-se com um sinal todos os detalhes interessantes ou suspeitos;
– interpreta-se cada ponto e discute-se a interpretação enviada.
216. É preciso conhecer (e somente a prática permite adquirir esses conhecimentos) as indicações gerais que revelam as organizações inimigas.
As trincheiras são visiveis por seu traçado, que se traduz na fotografia por um traço negro tanto mais aparente quanto mais profundas e melhor conservadas forem.
As crateras aproveitadas são caracterizadas por que não apresentam mais seu aspecto normal e observa-se desaterro nos arredores; diferenciam-se das falsas crateras que se reconhecem por seus bordos regulares e pela ausência da “estrela de arrebentamento”, que é quase impossível imitar.
As redes de arame destacam-se em negro sobre fundo cinzento; as estacas apresentam-se sob a forma de pontos regularmente espaçados. Por outro lado são também reconhecíveis por sua situação na frente da trincheiras, crateras, etc.
As posições das metralhadoras são difíceis de descobrir. Algumas vezes consegue-se descobri-las, estudando o terreno e a organização geral do inimigo, as redes de arame e os obstáculos que devem ser regularmente batidos. Nas trincheiras essas posições são reconhecíveis pelas canhoneiras.
Os abrigos reconhecem-se pelos corredores de acesso, pelas entradas que aparecem em negro, pelo desaterro que existe nas proximidades.
As baterias revelam-se principalmente pela regularidade da organização, pelas pistas, pelos efeitos do sopro, pelos desaterros, às vezes pela limpeza do mato ou por um disfarce mal executado.
Um intérprete habilitado raramente as confunde com as falsas baterias, as quais, em geral, apresentam esses índices acusados do maneira flagrante.
As vias de comunicações permitem determinar os pontos sensiveis; são tanto mais visiveis quanto mais utilizáveis forem. Na maioria das vezes, seguindo-as, encontram-se as organizações melhor disfarçadas (observatórios, abrigos, P. C.) .
Os depósitos de munição encontram-se, em geral, no ponto de convergência das estradas, das pistas e das vias férreas ou, pelo menos, nas proximidades destes pontos.
ARTIGO II
A estereoscopia aplicada ao estudo das fotografias aéreas
217. A visão binocular dá a sensação do relevo, da profundidade. Esta impressão de relevo é tanto maior quanto maior for o afastamento dos dois eixos óticos.
218. Se, com o mesmo aparelho fotográfico, se tirar duas fotografias aéreas das extremidades de uma grande base, olhando simultaneamente uma das fotografias com uma vista e a outra fotografia com a outra vista (estereoscópio) sente-se a mesma impressão que se sentiria se se olhasse a paisagem com dois olhos tendo um afastamento igual ao comprimento da base.
Esta visão estereoscópica permite ver a fotografia com um certo relevo e em conseqüência, facilita a descoberta dos detalhes.
219. Para fazer uma montagem estercoscópica é necessário que as duas fotografias tenham uma parte comum; para isto é bastante um recobrimento ligeiramente superior a 1/2. Obteem-se os melhores resultados quando o afastamento entre os dois pontos de onde são tiradas as fotografias, medido na escala destas, é sensivelmente igual ao afastamento médio dos olhos, isto é 65 mm.
220. A montagem estereoscópica das fotografias verticais é feita do seguinte modo :
– determina-se inicialmente, sobre as duas fotografias, o ponto principal, (encontro das duas diagonais de cada foto) ;
– faz-se coincidirem as duas fotografias e, da parte comum, extrai-se parte a examinar;
– colocam-se em seguida as duas provas sobre um cartão, ao qual são fixadas por meio de pinças, de modo que conservem a ordem desejada e que a linha que une os dois pontos principais seja paralela à linha dos olhos ;
– afastam-se ou aproximam-se as duas provas, deslocando-as paralelamente a si mesmas até que se obtenha a sensação de relevo.
ARTIGO III
Amarração fotogrática
A) Definição – Propriedades das vistas perspectivas
221. Uma prova fotográfica dá uma "vista perspectiva” dos objetos fotografados; a amarração consiste em transformar essas vistas perspectivas em plano cotados (15) .
O problema geral da amarração é um problema complexo que se resolve com u’a maior ou menor aproximação por meios gráficos (épuras) ou mecânicos (câmara clara, aparelhos do foto-projeção).
Anexo figura 07 página 713
Indicaremos aqui apenas os meios elementares que permitem executar, sem erro grosseiro e com uma aproximação suficiente, o problema simples do completamento. Consiste em transportar para um
____________
(15) Isto é, planos comportando as alturas ou “cotas” dos pontos.
plano diretor que já tem numerosos detalhes fáceis de encontrar sobre as fotografias, alguns detalhes novos (por exemplo : organizações inimigas, posições de baterias) identificadas sobre uma fotografia recente.
222. Definição e propriedades principais das vistas perspectivas.
Sendo dado um ponto S, chamado centro de perspectiva ou ponto de vista, e um plano Q, chamado plano de quadro, a perspectiva de um ponto P sobre o plano Q é, por definição, o ponto P no qual a reta SP encontra o plano Q. Resulta imediatamente de que :
1º A perspectiva de uma reta é uma reta;
2º As perspectivas das retas D₁, D₂ e D₃ que se cortam no ponto O são as retas d₁, d₂ e d₃, concorrentes em um ponto O1, perspectiva de O (fig);
3º As perspectivas de retas paralelas, Δ₁, Δ₂ e Δ₃. são retas concorrentes em um ponto O, ponto de encontro de uma paralela a Δ₁, Δ₂ e Δ₃ traçada de S, com o plano do quadro (fig. 8).
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 714 Figura.
Finalmente, outra propriedade importante das vistas perspectivas é conservar as relações inharmônicas. (fig. 9)
223. Relações inharmônicas (fig. 9) .
Dados quatro pontos A, B, C e D, situados sobre uma reta, chama-se relação inharmônica destes quatro pontos o quociente das relações das distâncias de dois desses pontos aos outros dois, por exemplo :
AB = DB
AC DC
Se se cortar por uma reta, qualquer feixe de quatro retas situadas em um mesmo plano, a relação inharmônica desses quatro pontos obtidos é constante; se se considera uma vista perspectiva desse feixe, a relação inharmônica dos dois feixes é a mesma.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 714 Figura.
224. Deformação das imagens em uma vista perspectiva.
A fotografia de um terreno plano horizontal tomada com um aparelho de eixo vertical daria, evidentemente, uma imagem semelhante à do terreno, isto é, um verdadeiro plano desse terreno o qual bastaria em seguida ampliar ou reduzir para obtê-lo na escala desejada.
Estas condições teóricas jamais são preenchidas e a imagem apresenta sempre deformações provenientes :
1º, do fato de não se achar o eixo ótico absolutamente vertical no momento em que for tirada a fotografia;
2º, do fato de não ser o terreno, de um modo geral, nem plano, nem horizontal.
Todavia, em um terreno pouco acidentado, pode considerar-se essas duas condições como preenchidas e o problema da restituição torna-se muito mais simples; mesmo nesse caso é essencial notar que, em conseqüência das deformações devidas à perspectiva, uma fotografia tirada de um avião não é uma simples redução ou amplificação da carta; assim ela não tem escala ou, melhor dizendo, a escala é variavel de em ponto a outro, e, em um mesmo ponto, é variavel conforme a direção.
B) Amarração no caso de um terreno plano
225. Utilizar, de preferência, o “processo dos alinhamentos” combinado, se houver necessidade, com o "emprego da proporção ou da escala”, mais excepcionalmente o processo dos feixes inharmônicos.
Processo dos alinhamentos
226. Quadrícula – Quando a amarração diz respeito a pontos isolados, e no caso que existam numerosos pontos comuns na fotografia e no plano, procurar duas retas comuns (determinadas por pontos comuns na fotografia e no plano) passando pelo ponto a amarrar e permitindo determinar esse ponto por intersecção.
Quando o “completamento” a efetuar estende-se sobre toda uma extensão do terreno (organizações amigas ou inimigas por exemplo) pode unir-se dois a dois os pontos comuns à fotografia e ao plano.
A quadrícula obtida pode ser tão pequena quanto se queira (porque as retas obtidas cortam-se duas a duas em pontos que se correspondem e que se pode reunir de novo, dois a dois) ; os detalhes da fotografia contidos em cada quadrado da quadriculagem serão transportados à vista para o quadrado correspondente do plano.
Dá-se a esta operação o nome de quadriculagem : pode-se, aliás, executá-la de outro modo, procurando transportar para a fotografia a quadriculagem hectométrica da carta; utilizam-se para tal, pontos comuns os quais, na carta encontram-se sobre paralelos ou meridianos; as retas correspondentes da fotografia, perspectivas das retas paralelas, são concorrentes em dois pontos S e S’ (geralmente bastante afastados quando o eixo da chapa se achar muito próximo da vertical no momento em que for tirada a fotografia). Obtidos um certo número de quadrados, pode-se subdividí-los em quadrados tão pequenos quantos se queira, bastando para isso unir os pontos S e S’ aos pontos de encontro das diagonais (fig. 10) .
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 716 Figura.
227. Emprego da proporção ou da escala:
Vimos que uma fotografia tirada de um avião, a qual é uma vista perspectiva, não tem escala; esta varia nos diferentes pontos da fotografia e para um mesmo ponto, varia segundo a direção considerada.
Todavia, (e é geralmente o caso), se a fotografia for tirada com o eixo do aparelho quasi vertical, pode-se, porem, com a condição de operar sobre distâncias curtas, admitir com uma aproximação de modo geral suficiente, a proporcionalidade das figuras no plano e na fotografia.
Assim, sendo A e R (fig. 11) dois pontos aproximados da fotografia, correspondentes a a e b do plano, coloca-se o ponto m correspondente a M (situado sobre AB) admitindo que :
ma = MA
mb MB
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 716 Figura.
Um ponto P, situado fora de AB, porem, muito próximo de AB (sendo, alem disto, esse comprimento suposto curto) será locado baixando a perpendicular P P’ sobre A B e admitindo que:
P P’ = P’A = P’B = AB
p p’ p’a p’b a b
E’ assim, por exemplo, (fig. 12) que no processo de quadrícula, quando se quadrícula a fotografia, determinam-se os lados do quadrado OX – OY, pelos pontos de encontro com retas tais como AB, que une dois pontos comuns aproximados A e B.
CLBR Ano 1941 Vol. 06 Pág. 717 Figura
Esses processos só devem ser aplicados com muita circunspecção; se possível, procuram-se determinações diferentes, baseadas sobre outros pontos comuns, para obter verificações. Mede-se sobre a fotografia e sobre o plano, em volta e perto do ponto a determinar, a distância de alguns pontos comuns para obter a relação de redução, tendo o cuidado de verificar que sua variação seja pequena com essas diferentes medidas.
Enfim, se a carta comporta muitos pormenores, determinam uma verdadeira quadrícula, permitindo localizar à vista os novos pormenores; se a amarração destes últimos, feita diretamente, fizer ressaltar alguma inexatidão das antiga minúcias, evidentemente é necessário, aguardando que a localização do conjunto possa ser retificada, conservar a posição relativa de uns em relação aos outros.
228. Emprego dos feixes inarmônicos (fig. 13 e 14).
Este processo é mais demorado que os precedentes; apresenta além disto, o inconveniente de só utilizar um pequeno número de pontos e não se prestar bem às verificações.
Recorrem-se a eles, quando os pontos de referência forem pouco numerosos, e após haver verificado cuidadosamente no plano diretor, que os quatro pontos utilizados e os pontos a restituir, acham-se sensivelmente no mesmo plano.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 717 Figura
Sejam a, b, c e d, quatro pontos da fotografia identificados, com precisão, no plano diretor em A, B, C e D; quer-se restituir no plano M, um ponto m da fotografia. Para isto:
1º Unir A a B, C e D e a a b, c, d e m. A relação inarmônica das quatros retas ab, am, ac, ad, é a mesma que a das retas AB, AM, AC, AD ;
2º Colocar uma tira de papel sobre o feixe ab, am, ac, ad marcar com o lápis os pontos 1, 2, 3 e 4.
Transportar então a tira de papel assim marcada para cima do feixe AB, AC, AD, colocando-a de modo tal que o ponto 1 fique sobre AB, o ponto 3 sobre AC e o ponto 4 sobre AD; marcar em seguida o ponto 2 no plano e unindo-o à A, obtém-se a reta AM.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 718 Figura
3º Operar do mesmo modo utilizando um dos outros pontos conhecidos em vez de A para centro do feixe; obstem-se uma segunda reta BM, por exemplo; na interseção desta reta com a reta AM já traçada, encontra-se o ponto M.
C) Amarração no caso de um terreno acidentado
229. O problema de amarração, relativamente simples no caso de um terreno plano, torna-se muito mais delicado, quando se trata de um terreno acidentado(16).
230. Método das porções – Alinhamentos curtos.
Quando o plano diretor considerado representa uma figura exata do terreno pode decompor-se esse terreno, no caso de não ser muito acidentado, em porções pouco mais ou menos planas, as quais serão consideradas isoladamente, empregando-se um dos processos já indicados anteriormente: alinhamentos, proporção, escala e mesmo quadrícula e feixes inarmônicos para as grandes porções nas quais pelo menos quatro pontos são conhecidos.
Procurar-se-á, em particular, se se possue um número de ponto de referência suficiente (caso geral do completamento), utilizar alinhamentos curtos que se apliquem bem sobre o terreno, passando por pontos a restituir ou em suas proximidades.
O processo dos alinhamentos, de muito simples emprego, tem a vantagem de obrigar a uma comparação minudente da carta e da fotografia; permite, principalmente se existem várias fotografias do terreno a amarrar, tiradas com incidências diferentes, ter numerosas verificações e também ter uma idéia da ordem de grandeza dos erros devidos ao relevo do solo.
No caso em que as minúcias a amarrar forem numerosas (organizações novas, por exemplo), determina-se primeiramente, com cuidado, um certo número de pontos da trama aos quais os pormenores são em seguida amarrados à vista.
231. Caso de um terreno muito acidentado.
O problema torna-se então particularmente difícil, sobretudo quando o figurado do terreno do plano diretor deixa a desejar quanto à exatidão e quando os pontos já restituídos são pouco numerosos.
A localização só será obtida, em geral, pouco a pouco, após o estudo de numerosas fotografias e, particularmente, de fotografias estereoscópicas que permitam, pelo exame do relevo do terreno, evitar certos erros grosseiros.
Dever-se-á sempre, no caso considerado, ser demasiado prudente na utilização dos resultados obtidos.
ANEXO VII
Estudo dos fragmentos dos projeteis
232. A colheita dos fragmentos dos projeteis é realizada pelos corpos de tropa; o S. l. A. para obtê-la, provoca as ordens do comando.
A remessa dos fragmentos de projeteis para que seja útil, deve ser acompanhada de uma ficha individual indicando:
– o dia e a hora do tiro correspondente;
– o lugar onde foi apanhado o fragmento.
O estudo destes fragmentos exige que os oficiais do S. I. A. possuam todas as informações conhecidas sobre as munições e os materiais utilizados pelo inimigo.
Para identificar um material qualquer, estudam-se determinadas características dos fragmentos.
1º O calibre é medido por intermédio de um calibrador (placa metálica contendo entalhes circulares correspondentes aos diferentes calibres).
Este processo só dá resultado com os fragmentos de grandes dimensões que não provenham de projeteis explosivos de aço, cujos, estilhaços são deformados pela explosão.
2º O sulco deixado pelas raias sobre a cinta de forçamento, que permite determinar a distância constante entre duas raias consecutivas. Isto demanda o conhecimento prévio da relação existente entre o calibre C e o número de raias N, que geralmente é igual
C
a – X 3,14.
N
3º A largura do anel onde se engasta a cinta de forçamento.
4º A posição da cinta medida por sua distância do culote.
5º O número de cintas num mesmo projetil.
6º A cor da parte exterior do projetil.
7º A espoleta, e em sua falta, as dimensões do ouvido do projetil.
8º A espessura do projetil, no centro do culote.
Se o projetil não explodiu, o seu exame deve ser feito com as necessárias precauções; pode medir-se seu comprimento e ler as marcas pintadas ou impressas.
233. Deve-se, pois, procurar conhecer desde o tempo de paz, as características supra citadas das munições usadas pelo inimigo.
ANEXO VIII
Modelos de documentos publicados pelo S. I. A. e lista dos sinais convencionais
234. Modelo do Boletim de Informações.
P. C. em ...... às ..... horas.
1ª D. I.
A. D/1.
S. I. A.
BOLETIM DE INFORMAÇÕES
Período de 21 de maio (20 horas) a 22 de maio (20 horas)
I – Atividade da artilharia inimiga.
II – Densidade das posições de baterias referidas (por km. de frente) .
III – Novas posições de baterias referidas em ação.
lV – Aviação inimiga.
V – Informações obtidas sobre a circulação inimiga.
VI – Informações obtidas pelo S. I. R. (17).
VII – Informações diversas.
VIII – Impressão de conjunto.
(a) X, Gen. Cmt. A. D.
(ou por P. O. – o Chefe do S. I. A.)
Visto
Z, Gen. Cmt. da D.I.
(ou por P. O. – o Chefe do E. M.)
235. Modelo de ficha de bateria.
1º Ex.
A. Ex./1.
S. I. A.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 721 Figura.
236. Relação das baterias inimigas.
referidas em 28 de maio (20 horas)
As baterias grifadas em vermelho são as que foram novamente referidas após a publicação da última relação, relativa ao período de 20 a 28 de maio.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 722 Tabela.
237. Sinais convencionais utilizados nas cartas das baterias.
I – BATERIAS
1º Sinais relativos à ocupação da posição.
a) Baterias cuja localização exata foi comprovada no período para o qual a carta foi estabelecida.
75 e105 C..........................................................................................................................................
105 L. e calibres superiores..............................................................................................................
b) Baterias cuja ocupação precisa não foi comprovada no decorrer do período para o qual foi estabelecida a carta.
2º Matrícula, número de peças identificadas, calibre, indicam-se por meio de uma fração cujo numerador é a matrícula e cujo denominador compreende dois números: o primeiro indica o número) de peças identificadas e o segundo o calibre.
78 – 82
Ex. :_____________
2 – 75
3º Grau de precisão da localização.
Se a posição da bateria for exatamente localizada, a matrícula é inscrita no interior de um retângulo.
78 – 82
Ex. :_________
2 – 75
4º Atividade.
Número de vezes que a bateria inimiga foi assinalada em ação no período considerado.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 723 Figura
5º Bateria anti-aérea.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 723 Figura
6º Objetivos e gêneros de tiro.
O objetivo e o gênero de tiro são indicados por meio da linha bateria-objetivo, traçada somente em suas duas extremidades, e tendo, na extremidade correspondente ao objetivo a matrícula da bateria e uma letra convencional indicando o gênero de tiro:
Destruição.............................................................................................................................................. D
Deter....................................................................................................................................................... d
Interdição................................................................................................................................................. I
Inquietação...............................................................................................................................................i
Contra-bia ........................................................................................................................................... CB
Regulação.............................................................................................................................................. R
Tático.......................................................................................................................................................T
Exemplo:
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 724 Figura.
Nota – As baterias antigamente referidas são inscritas em cor negra e as novas de vermelho.
CLBR Vol. 06 Ano 1941 Pág. 724 Figura.
_____________________
(16) A título de indicação: Se a fotografia foi tomada quase verticalmente (caso bastante geral) as deformações devidas ao figurado do terreno são menores no centro da chapa; nas extremidades os erros sobre as coordenadas podem atingir uma fração notável, cerca de 1/4 ou 1/3 da diferença de altitude do ponto em relação aos pontos que o cercam e utilizados para a restituição; se o eixo do aparelho não estiver na vertical, o erro pode ser muito mais considerável.
(17) Serviço de Informações radiotelegráfico.